O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou que, durante a Assembleia Geral das Nações Unidas, marcada para o dia 22 de setembro em Nova York, terá um encontro com o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo Lula, o objetivo dessa reunião será sugerir ao líder republicano a implementação de um sistema de pagamento semelhante ao Pix, criado no Brasil pelo Banco Central, para promover uma revolução digital na economia norte-americana.
A afirmação foi feita pelo próprio Lula durante uma agenda de campanha de reeleição neste sábado (5), na cidade de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. Durante o evento, o presidente ressaltou a importância de ampliar e consolidar a inclusão digital no Brasil, destacando que o governo já consegue conectar aproximadamente 178 milhões de brasileiros por meio da plataforma Gov.br, que oferece diversos serviços públicos digitais. Lula afirmou que essa conexão representa um avanço na democratização da informação e no acesso a serviços essenciais, e que pretende levar esse conceito para além das fronteiras brasileiras.
Lula afirmou que, ao visitar a ONU, pretende propor a Trump a criação de um sistema de pagamento digital que funcione de forma semelhante ao Pix, afirmando que tal iniciativa poderia impulsionar a economia digitalizada no país norte-americano. “Nós estamos quase perto de atingir toda a população brasileira, para as pessoas terem informação. E o exemplo disso é que o presidente dos Estados Unidos quer acabar com o Pix. Eu vou para a ONU, vou encontrar com o Trump e vou dizer para ele: ‘Trump, faça um Pix que você vai ver o quanto será bom a economia digitalizada melhor do mundo’”, declarou Lula.
A proposta de Lula ocorre em um contexto de tensões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Em junho, o governo norte-americano aplicou uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, decorrente de uma investigação do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). A investigação classificou as práticas comerciais do Brasil como “irrazoáveis” e citou o sistema de pagamentos Pix 20 vezes, alegando que ele representa uma forma de concorrência desleal. Segundo o documento do USTR, o sistema, controlado pelo Banco Central do Brasil, desfavorece empresas americanas ao oferecer vantagens como maior visibilidade, disponibilidade e limites de tarifas, privilégios que, na visão dos EUA, deveriam ser acessíveis também às concorrentes estrangeiras.
Além do Pix, a administração americana também mencionou ordens judiciais sigilosas para remoção de conteúdos em redes sociais e o uso de etanol na matriz energética brasileira como elementos que, na avaliação do governo Trump, contribuem para a suposta deslealdade no comércio bilateral. A crítica principal dos Estados Unidos ao Pix é que, por ser um sistema de pagamento sob controle do Banco Central, ele cria uma vantagem competitiva para o Brasil, dificultando a participação de empresas americanas no mercado digital brasileiro.
A proposta de Lula de discutir a criação de um sistema de pagamento digital semelhante ao Pix com Trump revela a intenção de ampliar a cooperação internacional no setor financeiro e digital, além de buscar uma possível abertura para o Brasil em negociações comerciais que envolvam tecnologia e inovação. A iniciativa também demonstra o esforço do governo brasileiro em consolidar o país como um protagonista na economia digital, mesmo diante de tensões comerciais com potências estrangeiras.






