A extinção de animais na natureza ocorre anualmente devido a uma combinação de fatores, incluindo a introdução de predadores, mudanças ambientais, caça excessiva e perda de habitat. Entre os exemplos mais emblemáticos estão o dodô (Raphus cucullatus), que desapareceu após a chegada dos humanos e predadores introduzidos em seu habitat natural; o tigre-da-tasmânia (Thylacinus cynocephalus), um dos marsupiais mais carnívoros do período moderno, declarado extinto na década de 1930; e o mamute-lanoso (Mammuthus primigenius), popularizado pelo filme “A Era do Gelo”, que foi extinto há cerca de 4.000 anos devido às mudanças climáticas e à caça intensiva por parte dos seres humanos.
Para que uma espécie seja oficialmente considerada extinta, os especialistas precisam apresentar provas convincentes de que não há mais indivíduos vivos capazes de reprodução. A ausência de exemplares impede a circulação da genética do grupo, o que, segundo o biólogo André Neto, diretor de operações técnicas do Oceanic Aquarium, em Balneário Camboriú, Santa Catarina, torna impossível a reversão do processo. “Quando se perde o último indivíduo de uma espécie, perdemos seu sequenciamento genético e a natureza não possui um mecanismo capaz de recriar espontaneamente uma espécie a partir do zero”, explica Neto.
Apesar disso, há relatos frequentes de espécies que “voltaram” a ser vistas na natureza, mas, na maioria das vezes, esses casos não indicam uma reabilitação natural. Na verdade, muitos desses animais nunca chegaram a desaparecer completamente, estando apenas escondidos ou em regiões de difícil acesso, como cavernas, florestas densas ou áreas de grande profundidade. Segundo o biólogo Rafael Moreira, do Parque Três Pescadores, em São Paulo, espécies com populações muito pequenas, hábitos noturnos ou comportamentos discretos podem escapar à observação por longos períodos, levando à falsa impressão de extinção.
Quando há registros confiáveis de que um animal desapareceu, ele é considerado oficialmente extinto. Contudo, se ele é avistado posteriormente, é necessário realizar uma série de análises para confirmar a redescoberta. Entre os exemplos de espécies que tiveram sua existência confirmada após décadas de desaparecimento estão a rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), que sumiu desde 1941 e foi avistada novamente em 2015, e o celacanto (Latimeria chalumnae), considerado extinto por décadas até sua redescoberta em 1938. Para validar esses casos, os pesquisadores utilizam múltiplas evidências, incluindo características morfológicas, registros históricos, distribuição geográfica, comportamento, ecologia e análises genéticas.
A análise do DNA desempenha papel fundamental nesse processo. Caso seja detectada uma alteração na cadeia de DNA, a espécie redescoberta pode ser interpretada como uma evolução de outra já existente. No entanto, a definição de uma nova linhagem também exige outros processos de comprovação, além do sequenciamento genético. Mesmo com a confirmação da redescoberta, a preocupação permanece: é necessário determinar o número de indivíduos, seu habitat, condições de segurança e capacidade de reprodução, para evitar que a espécie volte a desaparecer na natureza.
A descoberta de animais considerados extintos tem grande valor científico e para os esforços de conservação. Encontrar um único indivíduo pode alterar significativamente o entendimento sobre a história de uma espécie e orientar estratégias de preservação. Nesse contexto, zoológicos e aquários desempenham papel crucial, ao desenvolver programas de reprodução, manejo de populações ameaçadas e reintrodução de espécies na natureza, quando possível.
Além das ações de manejo, a criopreservação de células reprodutivas e outros materiais biológicos emerge como uma ferramenta importante para a conservação genética. Segundo André Neto, esses materiais podem ser utilizados futuramente em programas de preservação, contribuindo para a manutenção da diversidade biológica de espécies ameaçadas de extinção. Assim, a ciência avança na busca por limitar os efeitos da perda genética e aumentar as possibilidades de recuperação de espécies em risco, embora a extinção definitiva continue sendo um fenômeno irreversível na maioria dos casos.









