Belo Horizonte receberá, nos dias 25 e 26 de setembro, duas exposições gratuitas que destacam importantes trajetórias da cultura brasileira. As mostras serão realizadas no Museu da Moda de Belo Horizonte (Mumo) e no Museu Histórico Abílio Barreto (MHAB), integrando a programação da 20ª Primavera dos Museus, evento nacional que promove a difusão do patrimônio cultural por meio de ações educativas, exposições e atividades culturais em instituições de todo o país.
A primeira exposição, intitulada “Markito: Cintilações da Noite”, será inaugurada no dia 25 de setembro no Museu da Moda de Belo Horizonte, que celebra seus dez anos de fundação. A mostra é dedicada ao estilista mineiro Marcos Vinícius Resende Gonçalves, conhecido como Markito, que conquistou projeção nacional e internacional entre as décadas de 1970 e 1980. Natural de Uberaba, Markito destacou-se por incorporar elementos como paetês, franjas, decotes e tecidos fluidos em suas criações, além de aproximar a moda de outras manifestações culturais, como música, cinema e a vida noturna.
O acervo da exposição reúne roupas, fotografias, documentos e objetos que retratam a trajetória profissional do estilista. Entre os destaques, estão registros do fotógrafo Antônio Guerreiro, que capturou personalidades como Betty Faria, Christiane Torloni e Gal Costa em sessões relacionadas à moda de Markito. Além disso, a mostra apresenta um vestido de franjas inspirado na estética de “O Grande Gatsby” e dois figurinos criados para o cantor Ney Matogrosso em 1982, evidenciando a influência e a versatilidade do estilista na cena cultural brasileira.
No dia seguinte, 26 de setembro, o Museu Histórico Abílio Barreto inaugura a exposição “Mana Coelho: Fotopioneira”, dedicada à trajetória da fotógrafa recifense que atuou no fotojornalismo em uma época marcada pela predominância masculina na área. Mana Coelho começou sua carreira aos 19 anos, enquanto cursava Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e logo passou a registrar mudanças políticas, sociais e urbanas em Belo Horizonte e em Minas Gerais. Sua atuação inclui trabalhos como fotógrafa independente para veículos como a revista IstoÉ e o Jornal do Brasil, até sua contratação pelo jornal O Globo.
A exposição destaca não apenas a produção fotográfica de Mana Coelho, mas também aspectos do processo de trabalho no fotojornalismo analógico, incluindo a preparação dos equipamentos, a revelação dos negativos e o envio das imagens às redações. Sua trajetória representa uma contribuição significativa para a história do fotojornalismo brasileiro, especialmente por sua atuação em um período em que as mulheres enfrentavam barreiras para ingressar e se consolidar na profissão.
Ambas as exposições são de acesso gratuito e representam oportunidades de reflexão sobre a importância da moda e do fotojornalismo na formação da cultura brasileira, além de promoverem o reconhecimento de trajetórias que marcaram suas respectivas áreas. Os eventos fazem parte de uma programação mais ampla de atividades culturais promovidas pela Primavera dos Museus, que visa ampliar o acesso à cultura e valorizar o patrimônio histórico e artístico do país.








