O Parque Promotor Francisco Lins do Rego, mais conhecido como Parque Ecológico da Pampulha, será palco neste sábado (12) de uma iniciativa voltada à observação e registro de aves na cidade de Belo Horizonte. A atividade, denominada Avistavis, está em sua sétima edição de 2026 e é promovida de forma gratuita pela Ecoavis, em parceria com a Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de Belo Horizonte (FPMZB). O evento consiste em uma expedição destinada a profissionais e entusiastas da observação de aves, com foco na biodiversidade urbana, utilizando equipamentos como câmeras fotográficas e binóculos.
A concentração dos participantes está marcada para as 6h30 na portaria 1 do parque, localizada no Marco Zero, na avenida Otacílio Negrão de Lima, com a saída oficial prevista para às 7h. O percurso, que conta com o suporte técnico de especialistas da Ecoavis, é aberto ao público de todas as idades e níveis de experiência. Recomenda-se o uso de roupas neutras, boné, protetor solar, repelente e calçados fechados, visando facilitar a aproximação das aves e garantir o conforto durante a atividade.
Durante a caminhada, os participantes terão a oportunidade de avistar diversas espécies de aves, incluindo aquelas típicas de ambientes aquáticos, de bosque, campo e jardim, além de aves migratórias. Os especialistas presentes irão fornecer informações sobre os hábitos, características e técnicas de observação, contribuindo para o enriquecimento do conhecimento dos participantes sobre a avifauna local.
De acordo com a administração municipal, a iniciativa reforça a importância das áreas verdes urbanas como corredores ecológicos essenciais para a sobrevivência e proteção da fauna na cidade. O mapeamento da biodiversidade nesses espaços tem contribuído para avanços no conhecimento científico da região, incluindo a documentação de novas espécies em unidades de conservação municipais. Um exemplo recente foi o registro do coró-coró em Belo Horizonte, durante uma expedição realizada em maio no Parque Ursulina de Andrade Mello, também na Pampulha. Este foi o primeiro registro oficial da espécie na capital mineira, apesar de relatos anteriores de sua ocorrência na Lagoa da Pampulha.
O chefe da Seção de Aves do Jardim Zoológico da FPMZB, Juan Espanha, explica que o coró-coró é uma ave que costuma habitar áreas de mata mais fechada, diferentemente do tapicuru-de-cara-pelada, também comum na região. Ele destaca que o coró-coró possui plumagem mais azulada, face mais enegrecida e não costuma formar bandos grandes, características que ajudam na sua identificação. Além disso, a vocalização marcante e o habitat preferencial por ambientes mais fechados diferenciam as espécies, facilitando o reconhecimento por observadores experientes.
O presidente da FPMZB, Gelson Leite, reforça que a descoberta do coró-coró em Belo Horizonte evidencia a importância de preservar e manter os parques municipais como corredores ecológicos. Segundo ele, esses espaços oferecem abrigo, alimento e condições de sobrevivência para diversas espécies de aves urbanas, além de contribuírem para o avanço do conhecimento científico sobre a biodiversidade local. Leite destaca que ações de lazer responsáveis nesses parques podem gerar benefícios tanto ambientais quanto acadêmicos, como demonstrado pelo sucesso do projeto Avistavis.
Para os interessados em participar das próximas expedições do Avistavis, o calendário das atividades ainda será divulgado pela organização. A iniciativa busca promover o contato da população com a fauna urbana e ampliar o entendimento sobre a importância das áreas verdes na sustentabilidade ecológica da cidade.









