Recentemente, uma tendência viralizada no TikTok, denominada “pheromone-maxxing”, despertou debates na internet ao sugerir que homens que deixam de tomar banho, usar perfume ou desodorante poderiam estimular a produção de feromônios masculinos e, assim, aumentar suas chances de atrair parceiras durante encontros amorosos. No entanto, especialistas em neurociência, biologia e psicologia reforçam que a existência de feromônios em seres humanos ainda não foi cientificamente comprovada.
Até o momento, não há evidências robustas que demonstrem que humanos produzam ou respondam a feromônios sexuais de maneira semelhante ao que ocorre em animais. Segundo o neurocientista Leandro Freitas Oliveira, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB), embora alguns odores corporais possam influenciar as respostas humanas, isso não constitui uma confirmação da ação de feromônios. “Seria importante identificar uma substância específica e demonstrar seu efeito de forma consistente”, afirma Oliveira.
A bióloga e etóloga Marta Fischer, professora da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), destaca a necessidade de mais estudos para esclarecer a presença ou ausência de feromônios em humanos. Ela ressalta que a ciência evolui constantemente, com novas tecnologias e conhecimentos, e que há evidências de diferentes naturezas — positivas, neutras ou negativas — sobre o tema. Para Fischer, considerando o ser humano como um organismo biológico resultado de processos evolutivos, é plausível a existência de feromônios.
Para compreender o conceito, é importante distinguir feromônios de odores naturais humanos. Os feromônios são sinais químicos instintivos emitidos por animais de uma mesma espécie para provocar reações fisiológicas ou comportamentais específicas. Já o odor humano natural resulta de uma mistura complexa de fatores como genética, higiene, dieta e ambiente. Segundo Fischer, o odor pode atuar como uma forma de comunicação, podendo influenciar a atração, dependendo do gosto do indivíduo que percebe o cheiro.
O psicólogo Yuri Busin, neurocientista do comportamento pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, explica que o cheiro pode contribuir na atração entre humanos, mas que ele não é o único fator determinante. “O contexto de conquista envolve comportamento, vínculo, aprendizado, aparência, personalidade e aspectos culturais. O odor pode ser uma característica que influencia, mas não é o único elemento”, afirma.
Produtos comercializados com a alegação de conter feromônios, como perfumes e essências, prometem aumentar o desejo sexual ao influenciar a percepção do usuário. Contudo, especialistas consultados pelo portal reforçam que não há validação científica que comprove a eficácia desses produtos. Oliveira destaca que, embora um perfume agradável possa melhorar a percepção de alguém, isso não garante uma atração irresistível, salvo em casos específicos de fetiches por cheiros, que representam uma exceção.
Para Oliveira, é importante manter o entendimento de que a influência dos odores na conquista humana é limitada e que a ideia de uma substância capaz de tornar alguém irresistível é uma promessa que extrapola o que a ciência atualmente comprova. Assim, embora o olfato desempenhe papel nas relações humanas, não há evidências de que feromônios, no sentido estrito, possam ser utilizados como ferramenta de atração de forma comprovada cientificamente.









