A deputada estadual Andréia de Jesus (PT) foi alvo de novas ameaças de morte nesta sexta-feira (11), que continham elementos de racismo e referências explícitas à violência. Através de uma mensagem enviada ao e-mail institucional da parlamentar, um homem que se identifica como membro de uma suposta organização neonazista no Brasil direcionou várias ameaças contra a deputada, afirmando que a mataria por ela pertencer a uma “raça inferior”. O incidente levou a assessoria de imprensa de Andréia de Jesus a acionar a Polícia Legislativa, que registrou um boletim de ocorrência para apurar o caso.
Ao comentar o episódio, Andréia de Jesus destacou que, ao longo de oito anos de atuação política, recebeu mais de 4 mil ameaças. Ela recordou que, em 2022, também foi alvo de tentativas de intimidação similares, incluindo ameaças que buscavam desestabilizar sua atuação e expulsá-la da política por motivos raciais. A parlamentar afirmou que tais ações não irão silenciá-la ou afastá-la de seu trabalho, reforçando sua resistência diante da violência e do racismo que enfrenta por ser mulher e negra.
“Não estamos falando apenas de uma ameaça contra mim. Estamos falando de uma mensagem para todas as mulheres negras que ousam ocupar a política: vocês não são bem-vindas aqui. E é justamente por isso que a resposta das instituições precisa ser firme. Quem ameaça precisa ser investigado e responsabilizado”, declarou Andréia de Jesus em nota oficial. A deputada ressaltou a importância de uma atuação efetiva do Estado no combate à violência política, especialmente quando os ataques envolvem racismo e ameaças de morte, que representam uma ameaça à democracia e à representação de grupos marginalizados.
A parlamentar também reforçou sua determinação de continuar seu trabalho na política, mesmo diante das ofensivas. Ela afirmou compreender o peso de receber ameaças e de ser alvo de ataques por sua condição de mulher e mulher negra, mas destacou que esses episódios fortalecem a sua motivação para permanecer na luta. “Eu sei o que significa receber uma ameaça e continuar trabalhando no dia seguinte. Sei o que significa ser atacada por ser mulher e por ser preta. Mas também sei que cada vez que tentam nos expulsar da política, a nossa presença se torna ainda mais necessária. Eu não vou sair”, concluiu Andréia de Jesus.
Este episódio reforça o contexto de crescente violência política e racista no Brasil, especialmente contra representantes de minorias que ocupam cargos públicos. A denúncia da deputada evidencia a necessidade de uma resposta mais rigorosa por parte das autoridades e a urgência de políticas que protejam as mulheres negras na política, garantindo que possam exercer seus mandatos sem medo de ameaças ou ataques de cunho racial.





