A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou nesta sexta-feira, 11 de novembro, um pedido ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para que sejam retirados todos os sigilos existentes sobre os procedimentos relacionados à investigação do Banco Master. A solicitação visa ampliar o acesso aos processos, uma vez que a PGR argumenta que uma parte significativa das ações vinculadas à Operação Compliance Zero permanece sob sigilo, mesmo após decisão do ministro André Mendonça, que divulgou parte dos documentos.
A controvérsia envolvendo a transparência dos processos ganhou destaque após manifestações do ministro Alexandre de Moraes, também integrante do STF. Moraes acusou Mendonça de agir com “seletividade” ao determinar o levantamento do sigilo apenas de determinados procedimentos, deixando de fora outros documentos relevantes. Segundo Moraes, Mendonça teria selecionado subjetivamente o que seria divulgado, restringindo o acesso às informações de forma que dificultam a análise probatória dos processos. Ele criticou ainda a parcialidade na liberação de sigilos, especialmente em relação a procedimentos vinculados à PET 15.556, nos quais 180 documentos teriam sido excluídos do levantamento, prejudicando a compreensão do caso.
A discussão ocorre em meio a uma sessão marcada para o próximo dia 15 de novembro, na qual o plenário do STF deverá avaliar se o ministro André Mendonça deve ser investigado por suas relações com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do extinto Banco Master. As investigações revelaram que Moraes manteve uma relação próxima com Vorcaro, com quem teria participado de diversos encontros entre 2024 e 2025, totalizando pelo menos seis reuniões, segundo informações da Polícia Federal. Essas conversas indicam que o ministro teria orientado Vorcaro em ocasiões específicas e participado de eventos patrocinados pelo banco.
Dados da Polícia Federal também apontam que Vorcaro enviou uma mensagem ao ministro pouco antes de sua primeira prisão, ocorrida em novembro de 2025. Na mensagem, ele afirmou estar “indo assinar com os investidores de fora” e estava “online” às 20h48 do dia 17 de novembro daquele ano. Horas depois, Vorcaro foi preso preventivamente ao tentar embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo.
A sessão do dia 15 de novembro será a primeira oportunidade em que os dez ministros do STF discutirão coletivamente a controvérsia que alimenta a crise atual na corte. Entre os pontos centrais em julgamento estão a legalidade da ordem de Mendonça que aprofundou a análise do celular de Vorcaro, a validade do material recolhido pela Polícia Federal e o pedido da PGR para anular os procedimentos considerados ilegais. A decisão terá impacto direto sobre a transparência e a condução das investigações relacionadas ao caso Banco Master e às investigações internas do STF.








