O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) determinou, por decisão unânime, que a delegada da Polícia Civil Monah Zein será submetida ao julgamento pelo Tribunal do Júri, acusada de quatro tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE). A sentença revogou integralmente a decisão de primeira instância que havia considerado o caso de forma diferente. Além das tentativas de homicídio, a 7ª Câmara Criminal do TJMG também decidiu que Monah será julgada pelo crime de resistência, ampliando o escopo das acusações contra ela.
O episódio ocorreu em novembro de 2023, quando equipes da Polícia Civil foram até o apartamento de Monah Zein, localizado no bairro Ouro Preto, na região da Pampulha, em Belo Horizonte. Segundo a denúncia apresentada na decisão judicial, os policiais foram acionados após mensagens enviadas pela delegada em um grupo corporativo, indicando um possível risco de suicídio. A partir dessas mensagens, uma operação foi desencadeada para verificar a situação.
Antes da chegada da equipe da CORE, outros órgãos de segurança, incluindo a Patrulha Unificada Metropolitana de Apoio (PUMA), o Hospital da Polícia Civil e o Corpo de Bombeiros, estiveram no local. A negociação com Monah Zein durou mais de 30 horas, durante as quais tentativas de convencê-la a se entregar foram feitas. No entanto, durante o episódio, a delegada saiu do apartamento armada e teria apontado uma pistola para os policiais presentes.
Conforme relatos no processo, Monah efetuou disparos contra o negociador Cleiton Alves da Silva, que estava desarmado. Um dos tiros atingiu a parede próxima à cabeça do policial. Além disso, outros três disparos foram feitos contra integrantes da equipe policial, embora nenhum policial tenha sido atingido por esses projéteis. As provas que sustentam a acusação incluem documentos, laudos periciais, relatórios policiais e registros audiovisuais, todos considerados pelo TJMG na avaliação do caso.
O relator do processo, desembargador Paulo Calmon Nogueira da Gama, destacou que há indícios suficientes de que Monah Zein teria atirado com a intenção de matar, com base nas provas reunidas. Apesar disso, a decisão do TJMG não condena a delegada neste momento, mas apenas determina que ela seja submetida ao júri popular, que irá decidir sobre sua responsabilidade pelos fatos. A fase atual do processo é de análise de provas, e a sentença final sobre a culpabilidade de Monah será proferida pelos jurados.
A decisão do TJMG também alterou o entendimento da primeira instância, que, em julho de 2025, havia considerado que Monah não deveria ser levada a júri pelo crime de tentativa de homicídio contra três policiais, reservando a acusação contra o quarto agente para julgamento na Justiça comum. O Ministério Público recorreu dessa decisão, levando à nova determinação do tribunal.
O advogado Tiago Lenoir, representante dos quatro policiais vítimas dos disparos, afirmou que considera a decisão do TJMG correta. Ainda não há uma data definida para o julgamento pelo Tribunal do Júri, que deverá ocorrer em momento oportuno após os trâmites processuais.








