O Clube Atlético Mineiro vem aprimorando sua estratégia de relacionamento com a torcida por meio do uso de ferramentas de análise de dados, permitindo uma compreensão mais aprofundada do perfil e do comportamento dos torcedores presentes na Arena MRV. Essa iniciativa, que já é percebida pelos torcedores através de informações exibidas em telões durante as partidas, tem como objetivo transformar dados cadastrais em insights estratégicos, facilitando ações de engajamento e melhorias na experiência do público.
O procedimento começa com a coleta de informações dos ingressos adquiridos pelos torcedores, vinculados ao sistema GaloID, que reúne dados cadastrais gerais. A partir dessas informações, um programa desenvolvido pelo clube realiza a leitura automática de planilhas, organiza os dados e executa contagens e análises estatísticas, sempre respeitando a privacidade individual. Dessa forma, o Atlético consegue identificar, por exemplo, o número de crianças, torcedores com mais de 60 anos, além de dividir o público entre homens e mulheres presentes nos jogos, sem expor dados pessoais de forma individualizada.
Segundo Leandro Evangelista, diretor de Tecnologia do Atlético, o sistema atual integra mais de 550 tabelas e cerca de 1,8 bilhão de registros. Essa base de dados robusta possibilita ao clube obter uma visão consolidada da jornada do torcedor, convertendo um volume expressivo de informações em conhecimento útil para diferentes setores, de forma ágil, segura e confiável. Essa abordagem permite ao clube tomar decisões mais embasadas, além de aprimorar a experiência dos torcedores na Arena MRV.
O núcleo central dessa iniciativa é o GaloLake, uma plataforma de inteligência de dados que integra informações provenientes de diversos sistemas do clube. Entre eles estão os sistemas de ingressos, o programa Galo Na Veia, as catracas, pagamentos, alimentação, loja online, wi-fi e canais digitais, além de fontes externas relevantes. Essa unificação de dados possibilita uma análise mais completa e detalhada do comportamento do público, contribuindo para ações mais direcionadas e eficientes.
Na análise geográfica, por exemplo, o sistema corrige variações na escrita de nomes de cidades e estados e valida as localidades com uma base oficial de municípios. Para isso, utiliza também o CEP como elemento de validação. Como resultado, na partida contra a Chapecoense, ocorrida no último sábado, dia 19 de setembro, torcedores de 25 estados brasileiros estiveram representados nos cadastros do clube, com exceções de Amapá e Roraima. Importante destacar que esses dados representam o endereço cadastral no sistema do clube, não indicando necessariamente que o torcedor viajou de seu estado de origem para assistir ao jogo.
Outro dado relevante dessa partida é o registro de 11.257 torcedores que estavam na Arena MRV pela primeira vez. Com o acesso rápido às informações consolidadas, diferentes departamentos do Atlético podem entender melhor o comportamento da massa atleticana, apoiando decisões estratégicas, aprimorando a experiência na arena e desenvolvendo ações mais relevantes para o público. Assim, o uso de tecnologia e análise de dados se mostra uma ferramenta fundamental para o clube fortalecer o relacionamento com sua torcida, promovendo uma gestão mais eficiente e orientada por insights.









