Conversas encontradas no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, evidenciam o relacionamento próximo que o ex-banqueiro mantinha com uma rede de aliados políticos, advogados e figuras públicas. Os diálogos, divulgados nesta quinta-feira (24/9) pela revista Veja, revelam que Vorcaro era tratado com termos de familiaridade, como “irmão” e “amigo”, por diversos interlocutores, incluindo parlamentares, advogados e políticos de destaque.
Entre os nomes que aparecem nas mensagens, estão o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, e os deputados federais Nikolas Ferreira (PL-MG) e Mario Frias (PL-SP). Flávio Bolsonaro enviou uma mensagem ao empresário afirmando: “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz! Abs!”. Além disso, há registros de que Flávio solicitou financiamento ao filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, em contato com Vorcaro. O inquérito investiga, também, repasses que totalizaram R$ 61 milhões feitos pelo dono do Banco Master, com suspeitas de destinação para ações ilícitas, incluindo possíveis financiamentos às atividades do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Outro parlamentar mencionado é Nikolas Ferreira, que teria chamado Vorcaro de “Dani” em um áudio interceptado, expressando desejo de manter maior proximidade com o empresário, ao afirmar que gostaria de ter mais contato com ele. O senador Flávio Bolsonaro também utilizou o mesmo tratamento ao enviar mensagem ao empresário, demonstrando uma relação de confiança que ultrapassava o âmbito financeiro, chegando a envolver pedidos de apoio a projetos e financiamentos ligados ao seu interesse político.
O deputado Mario Frias, um dos produtores do filme “Dark Horse”, também se referiu a Vorcaro como “irmão” em mensagens de áudio, agradecendo a colaboração do empresário e destacando a importância do projeto para o país. A investigação aponta que Frias estaria liderando um esquema de desvio de recursos públicos para financiar a produção do filme, com suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro, após análise de movimentações financeiras de suas empresas.
Além dos políticos, a troca de mensagens revela que o ex-senador e empresário Chiquinho Feitosa, ex-cunhado do ministro do STF Gilmar Mendes, também se referia a Vorcaro como “irmão”. O advogado Ciro Soares, que atuava pelo Banco Master, é apontado como intermediário entre Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e também utilizava o mesmo tratamento de familiaridade, reforçando a rede de contatos de Vorcaro.
O relatório da Polícia Federal detalha ainda que o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux, também teria chamado Daniel Vorcaro de “irmão” em mensagens trocadas em maio de 2024, demonstrando a amplitude do relacionamento do ex-banqueiro com figuras do meio jurídico e político.
A investigação também identificou que Vorcaro utilizava apelidos como “irmãozão”, “conselheiro” e “comandante” para se referir a outros nomes de relevância, incluindo o senador Otto Alencar (PSD-BA) e Ciro Nogueira (PP-PI). Este último, segundo as apurações, teria apresentado uma emenda parlamentar para beneficiar o Banco Master, aumentando o limite do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, em troca de vantagens pessoais, como uma mesada e despesas pagas.
As mensagens reveladas reforçam o padrão de relacionamento próximo e de confiança entre Vorcaro e diversos políticos e advogados, levantando suspeitas sobre a natureza dessas relações e suas possíveis implicações em investigações de corrupção, lavagem de dinheiro e uso indevido de recursos públicos.









