Uma cartilha produzida pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) orienta militantes a reforçar a narrativa de que o candidato é católico, buscando convencer eleitores indecisos a votar no petista nas eleições de domingo, 4 de novembro. O documento, com 19 páginas e linguagem didática, apresenta estratégias de abordagem, incluindo temas religiosos, para ampliar o apoio ao ex-presidente, além de fornecer exemplos de argumentos contrários às críticas de adversários, especialmente de Flávio Bolsonaro (PL).
A cartilha detalha o “passo a passo da conversa perfeita”, recomendando que os militantes abordem eleitores em locais públicos como ruas, pontos de ônibus e filas, destacando a importância de mostrar o que está em jogo na disputa eleitoral, entre o avanço com Lula e o risco representado por Flávio Bolsonaro. Um dos pontos centrais do manual é a resposta a afirmações de que “Lula nem deve ter religião”, classificadas como “mentira do adversário”. Nesse caso, os aliados petistas devem afirmar que Lula é católico e guiado por valores cristãos, citando a Lei de Liberdade Religiosa, criada durante seu governo, como exemplo de seu compromisso com a diversidade de crenças.
O manual também aborda a questão da manipulação de notícias falsas, destacando uma fake news veiculada desde quinta-feira, 24, que relaciona Nossa Senhora Aparecida a um movimento para retirar o título de padroeira do Brasil. Segundo levantamento do Instituto Democracia em Xeque, essa informação viralizou em redes sociais, acumulando quase 1 milhão de publicações em menos de três dias. Lula passou a explorar esse tema, afirmando em entrevista ao Canal Livre, da Band, que “mexer com a Nossa Senhora Aparecida não é aceitável” e que “gente da religião evangélica” teria agido de forma desrespeitosa.
O conteúdo da cartilha indica também que o manual está sendo amplamente divulgado por grupos de WhatsApp, incluindo segmentos específicos como o de evangélicos favoráveis a Lula, que receberam mensagens de introdução direcionada ao segmento religioso. Uma pesquisa divulgada nesta segunda-feira, 28, pelo instituto Quaest, mostrou que após o anúncio do fim das apostas e da polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, as intenções de voto de Lula cresceram entre eleitores católicos e evangélicos. Entre esses grupos, Lula passou de 43% para 48% no segmento católico e de 23% para 27% entre evangélicos, enquanto Flávio Bolsonaro teve queda de 49% para 46% entre evangélicos e oscilou de 27% para 29% entre católicos.
A equipe de campanha de Lula acredita que o candidato pode vencer no primeiro turno, após uma série de crises enfrentadas durante o processo eleitoral. Lula deve votar em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, na manhã de domingo, e acompanhar a apuração dos votos em São Paulo, ao lado de Fernando Haddad, candidato do PT ao governo estadual. Por outro lado, Flávio Bolsonaro acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o Supremo Tribunal Federal (STF) para proibir publicações relacionadas a Nossa Senhora Aparecida, em meio a uma disputa judicial que se intensificou após o senador erguer a imagem da padroeira ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
A cartilha também reforça outros temas essenciais para convencer eleitores indecisos, incluindo tópicos econômicos, sociais e de política de gênero. O manual aconselha militantes a não desdenhar dos eleitores em dúvida, reconhecendo suas dificuldades, e a fazer perguntas que levem ao debate sobre propostas concretas de melhoria de vida, como a implementação de políticas públicas e projetos específicos, como a Medida Provisória contra apostas online e incentivos para jovens estudantes.
Além disso, há um foco especial na abordagem do eleitorado feminino, que representa mais da metade do eleitorado brasileiro. O manual critica as declarações e ações do governo Bolsonaro em relação às mulheres e destaca a necessidade de reforçar as políticas públicas de proteção e igualdade de gênero.
A estratégia de campanha inclui também o incentivo para que militantes compartilhem o conteúdo com diferentes perfis sociais, buscando ampliar o alcance da mensagem. Segundo a cartilha, a eleição será decidida na rua, nas feiras e no WhatsApp, e não apenas em gabinetes ou por algoritmos.
Este manual, denominado “Guia da Conversa”, é considerado uma ferramenta fundamental na estratégia de Lula para consolidar seu apoio e tentar garantir a vitória no primeiro turno, em um momento em que a campanha está marcada por debates sobre religião, fake news e mobilização social.









