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Análise prévia indicou sinais de instabilidade na geleira que colapsou no Nepal dias antes da tragédia

01/09/2026
Em Ciência
Tempo de leitura:3 minutos de leitura
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Uma avaliação preliminar de risco identificou sinais de instabilidade na geleira que desabou na fronteira entre o Nepal e o Tibete poucos dias antes do colapso que resultou na morte de pelo menos 1.000 pessoas e deixou mais de 3.900 desaparecidas. O estudo, realizado pelo grupo de pesquisa HiRISK e divulgado em 28 de agosto, revelou alterações na superfície da geleira, aumento do fluxo de água de degelo, mudança na coloração da água e uma rachadura que avançava na encosta rochosa próxima ao local do deslizamento. Apesar desses sinais evidentes, a região não possuía um sistema específico de alerta para riscos relacionados às geleiras, o que dificultou a tomada de medidas preventivas.

A tragédia ocorreu principalmente em áreas de infraestrutura, incluindo projetos hidrelétricos e outras obras ao longo do rio Trishuli, na fronteira entre Nepal e China. Segundo informações do governo nepalês, ao menos 933 trabalhadores estavam presos em cerca de seis diferentes projetos na região, sendo que aproximadamente 300 deles haviam sido resgatados de um túnel no complexo Upper Trishuli. Os satélites utilizados para monitoramento indicaram que a geleira apresentava sinais de movimentação e instabilidade antes do colapso, com a água de degelo adquirindo uma tonalidade mais escura e evidências de deslocamento interno na geleira e nas rochas ao redor.

Especialistas destacam que o monitoramento por satélites pode ser uma ferramenta crucial para acompanhar regiões de difícil acesso no Himalaia, especialmente quando combinado com inteligência artificial capaz de detectar alterações que possam indicar risco de deslizamento ou ruptura. A importância dessa tecnologia é reforçada pelo histórico de eventos graves na mesma área, incluindo o rompimento de um lago formado pelo derretimento de gelo em 2025, que causou uma inundação destrutiva na fronteira entre Nepal e China, matando pelo menos nove pessoas. Outros incidentes, como avalanches de gelo e rochas ocorridas em 2024 e 2015, demonstram a vulnerabilidade contínua da região a diferentes tipos de desastres naturais, reforçando a necessidade de sistemas de monitoramento mais eficazes.

A expansão de infraestrutura em áreas de alta montanha, como rodovias, túneis, barragens e usinas de energia, aumentou significativamente a exposição de trabalhadores aos riscos naturais. Jakob Steiner, geólogo e coautor do relatório, afirmou à ABC que muitos desses trabalhadores residiam em alojamentos próximos às instalações das usinas hidrelétricas, o que ampliou sua vulnerabilidade. Segundo ele, é urgente ampliar o treinamento das equipes de resposta, aprimorar os sistemas de alerta e investir mais em medidas de prevenção. Após a enchente, 12 usinas hidrelétricas e uma usina solar foram desativadas, sendo que sete dessas instalações sofreram danos ou destruição.

O tempo de reação diante de eventos como o colapso da geleira também é uma preocupação. Arnold Dix, engenheiro e geólogo australiano envolvido nas operações de resgate no Nepal, estimou que a velocidade da água da enchente poderia ter ultrapassado 160 quilômetros por hora, o que limitaria o tempo de evacuação a cerca de dez minutos. Para os especialistas, embora sistemas de alerta sejam essenciais, eles não garantem a evacuação completa, especialmente em situações de rápida evolução, reforçando a necessidade de estruturas de abrigo e rotas de fuga em regiões sujeitas a inundações repentinas.

Em maio, Nepal e China discutiram medidas conjuntas para monitorar inundações, geleiras e lagos glaciais na fronteira, incluindo propostas de mapeamento de áreas de risco e ações coordenadas de prevenção. Após a tragédia, ambos os países reforçaram a intenção de ampliar a cooperação na prevenção de desastres naturais e na resposta emergencial, com o objetivo de transformar sinais de perigo ambientais em alertas que possam proteger tanto a população quanto os trabalhadores envolvidos em projetos na região.

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