Agentes federais dos Estados Unidos relataram ter observado, em junho deste ano, uma aeronave triangular preta que teria subido verticalmente, permanecido imóvel no ar e acelerado em alta velocidade sem produzir ruído ou emitir gases de escape. O episódio ocorreu nas proximidades de uma instalação de segurança nacional não identificada, no oeste do país, e faz parte de um novo conjunto de documentos sobre fenômenos anômalos não identificados, os UAPs.
O material foi divulgado pelo Pentágono na sexta-feira (23) e corresponde ao sétimo lote de arquivos públicos sobre o tema. Ao todo, são 28 documentos em formato PDF, que reúnem memorandos oficiais e relatos de testemunhas. Os arquivos, porém, não incluem vídeos ou fotografias do avistamento mais recente.
O caso foi considerado digno de investigação adicional pelo AARO, sigla em inglês para Escritório de Resolução de Anomalias de Todos os Domínios. O órgão, ligado ao Departamento de Defesa dos Estados Unidos, analisa relatos envolvendo objetos ou fenômenos cuja natureza não foi identificada. Apesar da avaliação inicial, os documentos não esclarecem a origem da aeronave nem apontam qual tecnologia poderia explicar seu comportamento.
Agentes descreveram objeto semelhante a uma asa-delta
De acordo com o depoimento prestado ao FBI, a polícia federal americana, os agentes foram avisados sobre o objeto por um colega que estava nas proximidades. Depois de se reposicionarem para acompanhar o fenômeno, eles identificaram uma estrutura escura sobre uma elevação do terreno, recortada contra a claridade do céu logo após o pôr do sol.
“Iniciamos um levantamento visual do horizonte oeste e quase imediatamente observamos um objeto triangular substancial, não refletivo e de cor preta escura, muito semelhante a um drone com asa delta”, relataram os oficiais, segundo a CBS News.
As estimativas indicaram que o objeto tinha entre 2,7 e 4,5 metros de envergadura, de 1,8 a 2,7 metros de comprimento e espessura entre 30 e 60 centímetros. Segundo o memorando do AARO, a estrutura levou aproximadamente dez segundos para subir entre 60 e 90 metros acima da elevação onde foi inicialmente avistada.
Na sequência, o objeto teria permanecido parado no ar por cerca de 20 segundos. Depois, acelerou rapidamente, em uma velocidade descrita como comparável à de um caça militar. Os agentes perderam a aeronave de vista poucos segundos após o início do deslocamento.
O uso de binóculos não permitiu identificar janelas, painéis, rebites, peças giratórias ou aberturas na estrutura. Uma vistoria realizada na manhã seguinte também não encontrou destroços nem marcas no solo que pudessem ajudar a determinar o modo de operação ou o ponto de origem do objeto.
Relato destaca silêncio e ausência de gases de escape
Além das manobras consideradas incomuns, os agentes chamaram atenção para a ausência completa de ruído durante a subida, a permanência no ar e a aceleração. Eles também não observaram fumaça, poeira ou gases de escape, sinais geralmente associados ao funcionamento de aeronaves motorizadas convencionais.
Um dos agentes utilizou um monóculo infravermelho portátil, equipamento capaz de detectar radiação térmica e diferenças de temperatura. Conforme o depoimento, o objeto parecia mais quente do que o ambiente ao redor. O calor, segundo o relato, estava distribuído de maneira uniforme por toda a estrutura.
O memorando do AARO registra que o silêncio persistiu mesmo quando o objeto se deslocou em alta velocidade. Ainda assim, os dados reunidos no documento não permitem explicar a origem do calor detectado nem determinar que tipo de tecnologia teria possibilitado as manobras descritas pelas testemunhas.
Divulgação reacende discussão sobre segurança nacional
A publicação dos arquivos voltou a levantar dúvidas sobre a possibilidade de relatos desse tipo envolverem tecnologias experimentais ou representarem algum risco à segurança nacional. Avi Loeb, astrofísico e professor da Universidade Harvard, afirmou em uma publicação em seu blog que o episódio levanta duas hipóteses: a de que o objeto tenha sido desenvolvido por uma nação adversária ou a de que possua origem extraterrestre. Loeb dirige o conselho consultivo científico americano sobre UAPs.
Segundo a revista Scientific American, o cientista defendeu a instalação de novos sensores nas áreas onde fenômenos semelhantes foram observados. Esses equipamentos poderiam produzir dados mais precisos sobre temperatura, velocidade e trajetória, permitindo uma avaliação técnica mais detalhada dos casos.
A possibilidade de origem extraterrestre, no entanto, não foi comprovada. Relatos de testemunhas, mesmo quando reunidos em documentos oficiais, não são suficientes para determinar a natureza de um objeto sem evidências independentes que confirmem as observações.
Novo lote reúne relatos de diferentes períodos
Além do episódio de junho, os arquivos divulgados pelo Pentágono incluem registros de outros avistamentos. Entre eles estão relatos de 2023 sobre esferas alaranjadas que, segundo agentes federais, pareciam liberar objetos menores de cor vermelha. Outro documento descreve um agente que registrou, com equipamento infravermelho, dois objetos luminosos se deslocando juntos.
O conjunto também inclui documentos históricos. Um relatório da Força Aérea de 1957 menciona um bombardeiro B-52 que teria mantido contato por radar com um fenômeno não identificado durante cinco a sete minutos sobre a Arábia Saudita. Já um registro de 1955 apresenta o relato de um civil da Califórnia que afirmou ter visto um objeto muito brilhante e alaranjado cair em linha reta.
Pesquisadores já demonstraram ceticismo em relação a divulgações anteriores, argumentando que parte dos materiais era conhecida ou havia sido apresentada sem contexto suficiente para permitir uma conclusão segura.
A divulgação atual integra uma iniciativa de abertura de documentos governamentais sobre UAPs determinada por uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump no início de 2026. A medida ampliou o acesso a relatos antes mantidos em arquivos oficiais, mas não significa que os fenômenos descritos tenham sido identificados pelas autoridades.







