Uma equipe internacional de paleontólogos anunciou a descoberta do que pode ser o primeiro conjunto de pegadas de um Tyrannosaurus rex em deslocamento, datadas de aproximadamente 66,5 milhões de anos atrás. As marcas foram encontradas na Formação Hell Creek, uma das áreas mais ricas em fósseis do final do período Cretáceo, localizada na região sudoeste de Dakota do Norte, nos Estados Unidos. A descoberta ocorreu em 2025, em terras federais sob administração do Serviço Florestal dos EUA, nas proximidades de Marmarth, e foi publicada na revista científica Journal of Vertebrate Paleontology.
O conjunto consiste em quatro pegadas, presumivelmente deixadas por um T. rex adulto, que mede cerca de 0,91 metro de comprimento cada uma, formando uma sequência com uma passada total de aproximadamente 3,96 metros. Essas marcas apresentam um formato de três dedos, típicas do predador, e sua disposição fornece informações valiosas sobre a locomoção do animal há mais de seis décadas. A análise detalhada foi possível graças ao uso de escaneamento de superfície 3D de alta resolução, tecnologia que permitiu registrar as pegadas com precisão, criar modelos digitais e produzir reproduções físicas em 3D.
A estimativa de velocidade do T. rex, com base na disposição e desgaste das pegadas, indica que o animal caminhava a uma velocidade entre 5,6 e 7,2 km/h, similar à de uma caminhada acelerada por humanos. Contudo, devido ao desgaste das marcas, essas estimativas permanecem aproximadas. Os pesquisadores acreditam que o autor mais provável dessas pegadas seja um T. rex, dado o tamanho e o formato estreito dos dedos, além do grande volume de fósseis da espécie já encontrados na região. Embora pegadas isoladas de adultos já tenham sido atribuídas ao T. rex anteriormente, esta é a primeira sequência de marcas que pode ser considerada um rastro de deslocamento de um exemplar adulto em movimento, proporcionando uma visão inédita do comportamento do predador.
Para documentar o achado, a equipe utilizou tecnologia de digitalização em 3D, que possibilitou o estudo remoto das pegadas. Peter Falkingham, professor de paleobiologia da Universidade Liverpool John Moores e principal autor do estudo, destacou que essa tecnologia permite uma análise detalhada sem a necessidade de presença física no local. “Os colegas puderam escanear as pegadas em campo e me enviar as informações em 3D para que eu pudesse visualizá-las no computador e até em realidade virtual, o que é uma vantagem significativa na pesquisa paleontológica”, afirmou Falkingham.
A importância do achado reside na possibilidade de compreender melhor o comportamento de um dos maiores predadores que já habitaram a Terra. Segundo Tyler Lyson, curador sênior de paleontologia de vertebrados do Museu de Natureza e Ciência de Denver, as pegadas oferecem uma visão do momento do deslocamento do animal, algo que os ossos isolados não conseguem transmitir. As pegadas preservam detalhes sobre direção, ritmo e postura, contribuindo para a reconstrução do modo de vida do T. rex, que viveu entre aproximadamente 68 e 66 milhões de anos atrás, no final do período Cretáceo. Adultos podiam atingir cerca de 3,6 a 4 metros de altura, sendo um dos últimos dinossauros não aviários a habitar o planeta antes da extinção em massa ocorrida há cerca de 66 milhões de anos.
A descoberta também teve um início inesperado: Kent M. Hups, professor da Northglenn High School e voluntário de longa data do Museu de Natureza e Ciência de Denver, foi quem identificou o local das pegadas. Sua observação levou à participação no estudo como coautor, reforçando a importância da curiosidade e da observação cuidadosa na ciência.
Atualmente, três das quatro pegadas devem ser recuperadas por helicóptero ainda neste outono e levadas ao Museu de Natureza e Ciência de Denver. A instituição planeja compartilhar atualizações sobre o processo de recuperação e a análise dos achados, que representam uma contribuição significativa para o entendimento da locomoção e comportamento do T. rex, uma das espécies mais emblemáticas dos dinossauros.








