Um estudo conduzido por pesquisadores alemães indica que as gralhas-pretas podem tomar decisões até duas vezes mais rápido do que primatas, incluindo humanos e macacos. Os resultados foram obtidos a partir de testes realizados com as aves e liderados pela Universidade de Tübingen, na Alemanha. A pesquisa foi publicada na revista científica Science na quinta-feira (22/10).
Os animais analisados pertencem à espécie Corvus corone, conhecida como gralha-preta. Durante os experimentos, as aves precisaram observar uma tela sensível ao toque e indicar para qual direção um ponto estava se movimentando. Os alvos apresentados aos animais seguiam apenas dois sentidos possíveis: para a esquerda ou para a direita.
A tarefa exigia que os corvos identificassem rapidamente o movimento observado e selecionassem a alternativa correspondente na tela. A partir do tempo gasto entre a apresentação do estímulo e a escolha feita, os pesquisadores avaliaram a velocidade das decisões tomadas pelas aves.
De acordo com os resultados, as gralhas-pretas levaram, em média, apenas 235 milissegundos para selecionar o alvo escolhido. Esse intervalo foi considerado extremamente curto e levou os pesquisadores a apontarem que a velocidade de decisão dos animais pode chegar ao dobro da observada em primatas, como humanos e macacos.
Além da rapidez, os cientistas também analisaram a precisão das respostas. Os resultados indicaram que o desempenho das aves foi consistente, inclusive quando os padrões de movimento exibidos na tela eram mais difíceis de reconhecer. Nesses casos, as escolhas dos corvos continuaram melhores do que aquelas que seriam obtidas por meio de decisões aleatórias.
Quando os sinais apresentados eram claros, a precisão das gralhas-pretas chegou a quase 100%. O dado reforça que a rapidez identificada no estudo não ocorreu às custas de uma queda significativa na capacidade de distinguir a direção correta do movimento.
“Mesmo quando os padrões de movimento eram difíceis de reconhecer, as decisões dos corvos ainda foram melhores do que escolhas aleatórias, e com sinais claros, eles alcançaram uma precisão de quase 100%”, afirmou Philipp Schmidbauer, um dos autores da pesquisa, em comunicado.
Para os pesquisadores, uma das principais hipóteses para explicar esse desempenho está relacionada à atividade dos neurônios no cérebro das aves. A velocidade com que os corvos analisaram os estímulos e escolheram uma resposta pode estar ligada à forma como essas células nervosas processam as informações recebidas.
Apesar dos resultados, os autores ressaltam que ainda são necessárias novas avaliações para compreender com mais detalhes os mecanismos utilizados pelas gralhas-pretas durante o processo de decisão. O estudo aponta a rapidez e a precisão observadas nos testes, mas não estabelece de forma definitiva como a atividade cerebral das aves produz esse desempenho.








