Um levantamento realizado pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) revelou que mais de 116 milhões de brasileiros, representando aproximadamente 57% da população total do país, vivem em regiões que correspondem a apenas 15% do território nacional. Os resultados foram publicados nos Anais da Academia Brasileira de Ciências em 3 de agosto, trazendo uma atualização em relação a estudos anteriores que indicavam que entre 60% e 72% da população brasileira residia na mesma área. A pesquisa atual diferencia-se por sua metodologia mais rigorosa, utilizando dados oficiais do Censo Demográfico 2022, combinados com a delimitação oficial da Mata Atlântica estabelecida pela Lei nº 11.428/2006 e mapas produzidos pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa abordagem garante maior precisão na definição do bioma e na análise da distribuição populacional.
A Mata Atlântica, embora ocupe uma fração reduzida do território nacional, concentra a maior parte da população brasileira. Segundo o estudo, entre 83% e 85% dos habitantes que vivem na Mata Atlântica estão localizados na região Sudeste, com destaque para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que abrigam uma parcela significativa desses moradores. Estima-se que aproximadamente um terço da população do bioma reside no estado de São Paulo, uma das regiões mais urbanizadas do país, onde a maioria dos habitantes vive em cidades e áreas urbanas, apesar da associação do bioma a áreas de mata e floresta.
A alta densidade populacional na Mata Atlântica apresenta desafios ambientais consideráveis. De acordo com a pesquisadora do INMA, Mileide Formigoni, a concentração de mais de 116 milhões de pessoas em uma área relativamente pequena acarreta problemas como escassez hídrica, degradação de bacias hidrográficas, fragmentação de áreas florestais e vulnerabilidade a eventos climáticos extremos. Esses fatores agravam a pressão sobre o bioma, que já sofre com o desmatamento e a urbanização desordenada ao longo das últimas décadas.
Para os especialistas, a preservação da Mata Atlântica é fundamental não apenas para a conservação da biodiversidade, mas também para a segurança ambiental do Brasil, especialmente em um contexto de mudanças climáticas e aumento na frequência de eventos climáticos extremos. O estudo reforça a necessidade de políticas públicas que orientem um planejamento urbano mais sustentável e uma gestão ambiental eficaz, capaz de equilibrar o desenvolvimento econômico com a proteção do bioma. Assim, a pesquisa fornece subsídios importantes para o aprimoramento de estratégias de conservação e para a formulação de ações que possam mitigar os impactos ambientais decorrentes da alta ocupação humana na região.









