Um estudo conduzido pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos, analisou os efeitos de restringir a janela de alimentação diária a 10 horas, uma prática conhecida como alimentação com restrição de tempo (TRE, na sigla em inglês), na perda de peso e na saúde geral. Publicada em 27 de julho na revista científica Obesity, a pesquisa buscou determinar se essa estratégia, que consiste em concentrar todas as refeições dentro de um período específico sem reduzir intencionalmente a ingestão calórica, promove mudanças significativas no peso, nos hábitos alimentares, na inflamação e nos níveis hormonais relacionados à fome.
A investigação envolveu 39 adultos com idades entre 18 e 69 anos, todos com obesidade e pré-diabetes ou diabetes tipo 2 controlada por dieta. A maioria dos participantes era do sexo feminino (92%) e de origem negra (92%). Durante 12 semanas, os voluntários foram divididos aleatoriamente em dois grupos: um deles deveria consumir todas as refeições dentro de uma janela de 10 horas por dia, enquanto o outro manteve o padrão habitual de 16 horas de alimentação. Ambos os grupos seguiram uma dieta adaptada do programa DASH (Dietary Approaches to Stop Hypertension), que prioriza a saúde cardiovascular ao limitar o consumo de carnes vermelhas, alimentos ricos em gordura, açúcar e sal. Além disso, a quantidade de calorias foi ajustada individualmente para manter o peso inicial de cada participante.
Ao final do estudo, os resultados mostraram que a perda de peso foi semelhante nos dois grupos, com uma redução mediana de aproximadamente 2,7% no grupo de 10 horas e de 2,5% no grupo de 16 horas. Esses números indicam que restringir o período de alimentação a 10 horas não proporcionou uma vantagem significativa em relação ao padrão habitual de 16 horas, desde que a ingestão calórica fosse mantida constante. Assim, a mudança no horário das refeições, por si só, não demonstrou ser suficiente para promover uma perda de peso mais expressiva.
Para avaliar possíveis efeitos adicionais, os pesquisadores coletaram amostras de sangue dos participantes antes e após as 12 semanas, medindo níveis de hormônios relacionados à fome, como grelina e leptina, além de marcadores de inflamação, incluindo proteína C reativa, cortisol e sRAGE. Os voluntários também responderam a questionários sobre seus hábitos alimentares e comportamentais. Apesar das mudanças positivas relatadas pelos participantes, como maior autocontrole na alimentação, menor tendência a comer em situações de estresse e menor suscetibilidade à fome, os níveis hormonais e marcadores inflamatórios permaneceram semelhantes entre os dois grupos.
Segundo Daisy Duan, professora assistente de medicina e principal autora do estudo, esses achados indicam que a estratégia de limitar o período de alimentação a 10 horas pode levar a uma perda de peso modesta e a melhorias nos hábitos alimentares, mesmo sem restrição calórica explícita. Contudo, ela destacou que não foram identificados benefícios adicionais para a saúde relacionados à estratégia além desses aspectos observados.
Os pesquisadores afirmam que futuras investigações poderão explorar se a alimentação com restrição de tempo pode auxiliar na manutenção do peso em indivíduos que já alcançaram a perda de peso por outros meios, incluindo o uso de medicamentos, como os agonistas do receptor GLP-1. Assim, o estudo reforça a importância de uma abordagem equilibrada na perda de peso, destacando que mudanças no horário das refeições, sem redução calórica, podem não ser suficientes para resultados mais expressivos.








