Pesquisadores da Universidade da Sunshine Coast, na Austrália, documentaram um comportamento alimentar pouco comum entre cetáceos, no qual um golfinho-nariz-de-garrafa emprega uma estratégia de cleptoparasitismo para obter alimento. Durante um estudo realizado entre 2021 e 2025, os cientistas observaram um golfinho chamado de Bubbles, que vive em recifes próximos à Ilha Lady Elliot, na costa australiana. O animal persegue um cardume de xaréus-olho-grande, selecionando individualmente um peixe e perseguindo-o até que ele regurgite restos de sua alimentação, momento em que Bubbles mergulha para roubar o alimento expelido.
As observações indicam que Bubbles repete esse comportamento ao longo de vários anos, sugerindo que a estratégia possa ser uma tática aprendida ou uma preferência consolidada. Até então, o comportamento de fazer peixes regurgitarem para facilitar o roubo de comida não havia sido registrado em cetáceos, tornando essa a primeira descrição desse tipo de estratégia alimentar na espécie. Além disso, esse comportamento é considerado uma forma de cleptoparasitismo, uma relação ecológica em que um animal se aproveita do esforço de outro para obter alimento, uma ocorrência rara entre animais marinhos.
Segundo Asia Haines, uma das autoras do estudo, a persistência do comportamento ao longo do tempo sugere que o golfinho pode estar escolhendo peixes que já estão mais cheios, o que facilitaria a obtenção de uma refeição mais saborosa com menor esforço. Os pesquisadores também acreditam que a perseguição causa estresse nos peixes, levando-os a regurgitar, possivelmente por conta do estresse causado pelas vocalizações graves e estalos repetidos feitos por Bubbles. Essas ações, além de intimidar os peixes, aumentam a probabilidade de que eles regurgitem, facilitando o roubo por parte do golfinho.
O estudo também destaca que Bubbles costuma caçar sozinho, diferentemente do comportamento típico de outros golfinhos-nariz-de-garrafa, que geralmente procuram alimento em grupos. Essa estratégia individualizada pode estar relacionada à economia de energia, uma hipótese que os pesquisadores pretendem aprofundar em futuras observações. O objetivo é monitorar outros indivíduos da mesma espécie por períodos prolongados, a fim de determinar se essa estratégia de roubo é mais comum do que se imagina atualmente ou se trata de um comportamento isolado.
A descoberta representa um avanço no entendimento do comportamento alimentar de cetáceos e evidencia a diversidade de estratégias que esses animais podem desenvolver para sobreviver em ambientes complexos como os recifes australianos. Os pesquisadores ressaltam a importância de continuar estudando esses comportamentos para ampliar o conhecimento sobre a ecologia e a adaptação dos golfinhos em seus habitats naturais.








