Uma fotografia produzida na Nova Zelândia mostra a dimensão do aumento da presença de satélites no céu noturno. O registro reúne cerca de 14 mil rastros luminosos deixados por esses equipamentos durante quase duas horas de observação, evidenciando como a órbita terrestre e a paisagem vista da Terra estão cada vez mais movimentadas.
A imagem foi feita por Brendan Larsen, professor e astrofotógrafo de New Plymouth. Quando começou a fotografar o céu noturno, há seis anos, ele encontrava satélites apenas ocasionalmente em seus registros. Atualmente, segundo o fotógrafo, a presença desses objetos se tornou frequente em praticamente todas as imagens que produz.
“Quase todas as fotos do céu noturno que tiro contêm vários rastros de satélites”, afirmou Larsen à revista New Scientist. Para demonstrar essa mudança, ele apontou a câmera para o Monte Taranaki e permaneceu registrando a mesma região do céu por aproximadamente duas horas.
Durante a sessão, o astrofotógrafo produziu 578 imagens, cada uma com oito segundos de exposição. O trabalho continuou depois da captura. Larsen passou outras 45 horas processando os arquivos, retirando os rastros das estrelas e reunindo em uma única composição as marcas deixadas pelos satélites.
O resultado é uma imagem atravessada por milhares de linhas luminosas. A intenção, explicou o fotógrafo, era apresentar em um único registro a velocidade com que o céu noturno está mudando. A composição permite visualizar a quantidade de objetos que podem cruzar uma determinada área do céu em um intervalo relativamente curto.
Uma mesma nave pode aparecer em diferentes rastros
Embora a imagem apresente aproximadamente 14 mil rastros, esse número não corresponde à quantidade exata de satélites que passaram pelo enquadramento. Como a composição foi montada a partir de centenas de fotografias, um mesmo equipamento pode ter aparecido em mais de uma exposição e deixado marcas diferentes.
De acordo com o jornal neozelandês The Post, Larsen estima que cerca de 1.400 satélites individuais tenham cruzado a área registrada durante o período de observação. A quantidade surpreendeu o próprio astrofotógrafo. Enquanto editava as imagens, ele esperava que o número de rastros diminuísse à medida que avançasse no trabalho. O que ocorreu foi o oposto: em determinado momento, ele identificou uma média de 25 satélites por fotografia.
Os dados ajudam a dimensionar o crescimento das constelações de satélites em órbita. Segundo informações do site de rastreamento Orbital Radar, citadas pelo The Post, aproximadamente 16 mil satélites orbitam a Terra. Desse total, cerca de 10 mil pertencem à Starlink, serviço de internet via satélite da SpaceX.
A fotografia e um vídeo em timelapse produzido por Larsen também alcançaram grande visibilidade. Uma semana depois da publicação, a imagem havia acumulado cerca de cinco milhões de visualizações, enquanto o vídeo, que acelera a percepção da passagem do tempo, ultrapassou seis milhões.
Expansão dos satélites levanta preocupações ambientais
Além de alterar a aparência do céu para observadores e fotógrafos, o aumento desses equipamentos desperta preocupações sobre possíveis impactos ambientais. Larsen destaca o crescimento da poluição luminosa, que pode interferir no comportamento de animais de hábitos noturnos, como morcegos e mariposas.
Outra questão está relacionada à reentrada dos satélites na atmosfera. Quando chegam ao fim da vida útil, muitos equipamentos retornam à Terra e se incendeiam durante o processo. Esse fenômeno pode liberar substâncias poluentes nas camadas mais altas da atmosfera, embora a extensão dos impactos ainda não esteja determinada.
Larsen reconhece que os satélites oferecem serviços importantes, mas defende que as possíveis consequências ambientais de longo prazo sejam analisadas com mais atenção. Para ele, o crescimento acelerado das grandes constelações torna necessário acompanhar os efeitos provocados pela presença cada vez maior desses equipamentos ao redor do planeta.








