A Agência Espacial Americana (Nasa) anunciou na terça-feira, dia 15 de setembro, que deu início aos procedimentos de ativação dos dois principais instrumentos do Telescópio Espacial Nancy Grace Roman. Essa etapa faz parte de uma fase de testes que ocorre enquanto o observatório orbital se desloca até o Ponto de Lagrange 2 (L2), uma região no espaço situada aproximadamente a um milhão de quilômetros da Terra, considerada ideal para o funcionamento de instrumentos ópticos avançados devido à sua estabilidade gravitacional e isolamento de interferências terrestres e solares.
Embora os instrumentos ainda estejam em fase de calibração e não tenham iniciado a coleta de dados científicos, os testes que se estenderão por vários meses são essenciais para assegurar o pleno funcionamento do equipamento. Segundo informações divulgadas pelos responsáveis pelo projeto, os resultados preliminares têm sido positivos, indicando que os componentes estão operando conforme o esperado. Essa etapa marca um avanço importante na preparação do telescópio para suas futuras operações científicas, que deverão incluir a observação do universo em infravermelho, o estudo da energia escura e o mapeamento da distribuição de matéria cósmica.
De acordo com Josh Schlieder, cientista responsável pelo Instrumento de Campo Amplo (WFI) no Centro de Voos Espaciais Goddard, em Greenbelt, Maryland, a confirmação de que o instrumento está operacional no espaço representa um marco significativo após anos de desenvolvimento e testes em solo. “Após anos de esforço para construir e testar o instrumento na Terra, agora temos a confirmação de que ele está operacional no espaço. Este é um marco importantíssimo. Ainda há muito a ser feito, mas estamos no caminho certo para uma ciência inovadora”, afirmou Schlieder em comunicado oficial.
Antes de ativar o WFI, os engenheiros permitiram que o equipamento secasse para eliminar contaminantes acumulados durante o transporte e o lançamento. Além disso, o instrumento foi inicialmente mantido em uma temperatura elevada, superior à temperatura do espaço, para facilitar a eliminação de partículas e resíduos. Na última sexta-feira, dia 11 de setembro, o aquecedor do WFI foi desligado, permitindo que o aparelho esfriasse até atingir a temperatura ideal para a ativação de seus detectores infravermelhos, essenciais para suas funções de captura de imagens.
Após a ativação dos sensores, os técnicos calibraram a roda de filtros do WFI, componente responsável por selecionar diferentes comprimentos de onda para as observações. No domingo, dia 13 de setembro, foi confirmada a operação adequada dos componentes de foco do telescópio, indicando que essa parte do sistema está funcionando corretamente. O coronógrafo, outro instrumento principal, também passou por testes de aquecimento, o que auxiliou na simulação de condições de operação na série de espelhos deformáveis do equipamento, essenciais para a sua capacidade de bloquear a luz de estrelas distantes.
O WFI, que significa Instrumento de Campo Amplo, é uma câmera infravermelha de alta resolução, composta por 300 milhões de pixels distribuídos em 18 detectores infravermelhos. Sua principal função será mapear grandes áreas do céu, permitindo que os cientistas estudem a energia escura, a expansão do universo e a distribuição de matéria. Para realizar essas tarefas, o equipamento possui uma área de sensoriamento equivalente à de um laptop, em comparação às câmeras digitais convencionais, que cobrem uma área semelhante a um selo postal.
Já o coronógrafo funciona utilizando espelhos, máscaras e sensores para bloquear a luz de estrelas distantes, possibilitando a detecção de exoplanetas e discos de poeira ao redor dessas estrelas, mesmo que esses objetos tenham baixa luminosidade. Essa tecnologia avançada é fundamental para ampliar o entendimento sobre a formação de sistemas planetários e a composição do universo em regiões de difícil observação.
Caso os testes continuem com sucesso, a Nasa projeta que as primeiras imagens do telescópio Roman sejam divulgadas no início de 2027, marcando um passo importante na exploração espacial e no estudo do cosmos.








