O papagaio-drácula (Psittrichas fulgidus), também conhecido como papagaio-de-Pesquet ou papagaio-abutre, é uma espécie que chama atenção tanto por sua aparência quanto por seu nome peculiar. Originária das florestas montanhosas da ilha de Nova Guiné, localizada no Oceano Pacífico, essa ave apresenta uma combinação visual bastante incomum, que remete a uma estética gótica e, por consequência, ao famoso vampiro Drácula.
A nomenclatura popular do papagaio-drácula tem raízes na sua aparência física. Seu corpo é predominantemente preto, enquanto o peito, o ventre e partes das asas exibem um vermelho intenso, formando uma espécie de manto preto com forro vermelho. Essa coloração, aliada ao rosto quase sem penas e ao bico longo e curvado, contribui para uma aparência que muitos associam à imagem do vampiro clássico, criado pelo autor irlandês Bram Stoker em 1897. Essa semelhança visual é provavelmente a origem do apelido “drácula” atribuído à espécie, que também é conhecida em inglês como “Dracula parrot”.
Ao contrário do que seu nome sugere, o papagaio-drácula não possui hábitos alimentares sanguíneos ou carniceiros. Sua dieta é completamente frugívora, composta principalmente por frutas, flores e néctar, com destaque para diferentes espécies de figo. Essa preferência alimentar diferencia-se de outros papagaios, que geralmente se alimentam de sementes ou grãos. A vocalização dessa ave também contribui para sua fama distinta: ela emite gritos guturais e ásperos, bastante diferentes dos pios ou grasnidos típicos de outras espécies de papagaios. Essas vocalizações, que podem ter evoluído como uma forma de comunicação nas densas florestas de Nova Guiné, também podem servir para afastar possíveis predadores ou ameaças.
Outro aspecto que torna o papagaio-drácula uma espécie de interesse é sua relação com a cultura local. As penas dessa ave são altamente valorizadas por caçadores na região de origem, sendo utilizadas na confecção de cocares cerimoniais. Estudos indicam que, de uma amostra de 170 cocares analisados, aproximadamente 43% continham penas de papagaio-de-Pesquet, demonstrando sua importância na cultura e na tradição local. Contudo, essa alta demanda, aliada à perda de habitats naturais, tem contribuído para o declínio da espécie. Atualmente, estima-se que haja pouco mais de 40 mil indivíduos espalhados pelo mundo, levando a espécie a ser considerada vulnerável por organizações de conservação.
A combinação de sua aparência marcante, sua dieta específica e a pressão exercida pelo comércio ilegal de penas fazem do papagaio-drácula uma espécie que necessita de atenção para sua preservação. A perda de habitat natural, consequência do desmatamento e das atividades humanas na ilha de Nova Guiné, agrava ainda mais seu risco de extinção. Assim, o apelido que remete ao vampiro não apenas reflete sua estética singular, mas também simboliza a vulnerabilidade de uma espécie que, apesar de sua aparência gótica, possui uma importância ecológica e cultural significativa.






