Engenheiros da Coreia do Sul desenvolveram um cão-robô denominado RAIBO2, capaz de completar uma maratona de 42,2 quilômetros em um tempo que supera o de muitos corredores humanos amadores. A prova ocorreu na Maratona do Caqui Seco de Sangju, em 2024, e o robô percorreu a distância em 4 horas, 19 minutos e 52 segundos, com mais de um terço de sua carga de bateria ainda disponível ao final do percurso. Os detalhes desta conquista foram publicados na última quarta-feira, 23 de setembro, na revista científica Nature.
Embora o tempo de RAIBO2 seja considerado relativamente alto para uma prova de maratona, ele está abaixo da média global de corredores humanos, que é de aproximadamente 4 horas e 32 minutos. Assim, o robô foi cerca de 13 minutos mais rápido do que a média de corredores amadores. É importante destacar que, apesar de superar muitos humanos comuns, RAIBO2 não se equipara a atletas de elite, cujo recorde mundial, como o do queniano Sebastian Sawe, é de 1 hora, 59 minutos e 30 segundos na Maratona de Londres.
Quando comparado aos cães de carne e osso, RAIBO2 apresenta uma vantagem significativa, pois a maioria desses animais não consegue completar uma maratona devido ao superaquecimento corporal. O projeto do robô teve como objetivo justamente criar uma máquina eficiente do ponto de vista energético, capaz de realizar deslocamentos de longa distância sem risco de superaquecimento, o que é um desafio para robôs com pernas. Diferentemente de robôs com rodas, que gastam energia apenas se movimentando, os com pernas precisam suportar seu próprio peso e compensar perdas de energia a cada passo.
Desenvolvimento e tecnologia do RAIBO2
Antes da prova, a equipe de engenheiros trabalhou para tornar o RAIBO2 mais leve, além de implementar uma placa de motor personalizada, mais eficiente e com menor resistência. Essa inovação permitiu a instalação de uma bateria maior, com capacidade de 2.016 Watts-hora, garantindo maior autonomia. O projeto também envolveu técnicas de aprendizado por reforço, aplicadas em simulações computacionais, nas quais o robô era recompensado sempre que apoiava as patas suavemente no chão, sem escorregar ou superaquecer. Este método contribuiu para que o robô adquirisse uma marcha estável, eficiente e delicada, essenciais para uma prova de longa duração.
Desafios e testes na prova real
Realizar testes em uma maratona real apresentou dificuldades, incluindo a competição contra humanos e a complexidade do percurso, que apresentava curvas, desníveis e trechos escorregadios. Apesar dessas condições adversas, RAIBO2 conseguiu completar a prova sem colisões ou superaquecimento. Os engenheiros também avaliaram o seu “custo de transporte”, uma métrica que mede a energia consumida para mover uma determinada carga por uma distância, cujo valor foi de 0,25. Este índice é considerado eficiente, especialmente se comparado ao de um corredor humano médio, que é de aproximadamente 0,37.
Embora o desempenho mecânico e energético de RAIBO2 seja impressionante, o robô ainda depende de um operador humano, que monitora sua trajetória por meio de uma câmera instalada na sua cabeça. O operador guia o robô durante toda a prova, garantindo que ele siga a rota correta, já que uma versão totalmente autônoma exigiria maior capacidade computacional e, consequentemente, maior consumo de bateria. Essa estratégia foi adotada para otimizar o desempenho do robô e preservar sua autonomia durante toda a maratona.







