Pesquisadores encontraram um sarcófago romano intacto que pertencia a uma criança na antiga cidade de Tomis, localizada na área onde atualmente fica Constança, na Romênia. A sepultura estava a cerca de 1,5 quilômetro do centro urbano antigo e guardava objetos pessoais, uma moeda, dois brinquedos de argila, guirlandas de flores, peças de roupa e dois pingentes que podem ter sido usados como amuletos de proteção.
A descoberta foi realizada por especialistas do Museu Nacional de História e Arqueologia de Constança e divulgada pelo próprio museu em uma publicação feita na terça-feira (27). As análises preliminares indicam que o túmulo foi destinado a uma criança, mas a idade exata do indivíduo ainda não foi informada.
Segundo os registros históricos, a área onde o sarcófago foi localizado era utilizada pelos romanos para o sepultamento de mortos. A identificação da estrutura e dos objetos encontrados no interior poderá ampliar o conhecimento sobre os costumes funerários praticados em Tomis e sobre as pessoas que viviam na cidade durante o período romano.
Brinquedos ajudam a interpretar o sepultamento
Entre os artefatos retirados da sepultura, dois brinquedos de barro chamaram a atenção da equipe de arqueologia. Um deles representa um galo e possui pequenas peças internas que produzem um som semelhante ao de um chocalho quando o objeto é movimentado.
Para os especialistas, a presença desse brinquedo pode indicar que a criança era muito pequena. No entanto, o achado, por si só, ainda não permite estabelecer a idade exata do indivíduo enterrado. A análise conjunta dos demais materiais deverá ajudar os pesquisadores a compreender melhor o contexto do sepultamento.
O túmulo também continha dois pingentes em formato de bula. Na sociedade romana, esses objetos eram associados à proteção de quem os utilizava e poderiam ter relação com a cidadania romana. A presença dos amuletos pode fornecer informações sobre o contexto social da família da criança, embora ainda não seja suficiente para determinar a posição que ela ocupava na comunidade.
Madeira do caixão foi preservada
Outro elemento considerado relevante pelos arqueólogos é a conservação da madeira do caixão colocado dentro do sarcófago. De acordo com o Museu Nacional de História e Arqueologia de Constança, o material resistiu ao longo de aproximadamente dois mil anos em condições excepcionais.
A preservação permitirá investigar de que maneira os caixões eram construídos e quais técnicas eram empregadas pelos artesãos romanos. Além da madeira, os objetos pessoais, as roupas, as flores e a moeda poderão ser analisados em conjunto para ajudar a reconstituir aspectos do ritual funerário e da vida cotidiana no período.
Localização pode indicar a extensão da necrópole
O sarcófago foi encontrado nas proximidades de uma antiga estrada que ligava Tomis à fortaleza de Histria. A localização é considerada importante porque pode oferecer pistas sobre a extensão da necrópole e sobre a forma como os espaços de sepultamento eram organizados ao longo da rota.
A comparação entre essa sepultura e outros vestígios identificados nas proximidades também poderá contribuir para reconstruir aspectos da antiga Tomis e de sua população. A distribuição dos túmulos e a análise dos objetos encontrados podem ajudar a compreender como a cidade se expandia e como seus habitantes eram enterrados.
As pesquisas e a coleta de materiais continuam. Novas análises deverão examinar o contexto do sepultamento, os artefatos recuperados e as técnicas empregadas na construção do caixão e do sarcófago. De acordo com o museu, os resultados serão apresentados posteriormente em atividades científicas e museológicas.








