O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação, registrou alta de 0,06% em julho. O ritmo mensal ficou significativamente abaixo do observado em junho, quando o índice subiu 0,41%.
Entre os diferentes grupos acompanhados pelo IPCA-15, a habitação foi o principal motor de alta no mês, com variação de 0,97% e contribuindo de forma decisiva para o desempenho do índice. O segmento de saúde e cuidados pessoais também teve peso relevante na formação da inflação de julho. Por outro lado, os itens de alimentação e bebidas apresentaram recuo expressivo, contribuindo para a desaceleração observada no mês, sendo o grupo com a maior queda entre os componentes.
No acumulado de 12 meses, o IPCA-15 apresenta alta de 4,52%, um patamar que fica abaixo dos 4,80% registrados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em relação a julho de 2025, quando o índice variou 0,33%, houve um recuo de 0,27 ponto percentual.
Para o cálculo do IPCA-15, os preços foram coletados no período de 17 de junho a 15 de julho de 2026 (referência) e comparados com os vigentes entre 16 de maio e 16 de junho de 2026 (base de comparação).
Os produtos e serviços que integram o IPCA-15 são organizados em nove grupos. Cinco desses grupos apresentaram altas, variando de 0,08% a 0,97%. Os outros quatro registraram quedas, com recuos que vão de 0,02% (comunicação) a 0,66% (alimentação e bebidas).
Projeções e contexto macroeconômico
Segundo o relatório Focus, as projeções indicam que o IPCA deverá encerrar o ano em 5,12%. Esse dado sinaliza uma leitura conservadora do mercado em relação à trajetória da inflação ao longo de 2026, ainda sujeita a eventuais revisões conforme mudanças na conjuntura econômica.
Em termos de metas inflacionárias, a linha de referência para 2026 prevê um objetivo central de 3%, com uma banda de variação de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o piso fica em 1,5% e o teto em 4,5%. Caso o acumulado em 12 meses permaneça fora desse intervalo por seis meses consecutivos, a meta é considerada descumprida, o que aciona avaliações de política econômica por parte das autoridades.
Quanto às expectativas institucionais para o ano, o governo projeta que a inflação chegue a 5,1% em 2026, enquanto o Banco Central (BC) trabalha com uma estimativa de 5,2% para o mesmo período. Essas previsões coexistem com o cenário de evolução macroeconômica e influenciam as decisões de política monetária adotadas pela autoridade monetária.
Em atualização, os dados do IPCA-15 para julho aportam no conjunto de indicadores que o mercado utiliza para calibrar expectativas de inflação, juros e impactos sobre o custo de vida. A divulgação pelo IBGE, nesta terça-feira (28/7), reforça a leitura de que a inflação brasileira segue em trajetória contida dentro da meta de curto prazo, ainda que com variações por grupo de produtos e serviços.








