O empresário Sérgio Habib, conhecido por liderar o Grupo SHC, responsável pela operação da montadora chinesa Jac Motors no Brasil, encontra-se envolvido em uma complexa situação de inadimplência e litígios judiciais. Apesar de exibir uma imagem de sucesso nas redes sociais, com centenas de milhares de seguidores e uma vida de ostentação, Habib acumula dívidas de diferentes naturezas e tenta evitar ações de execução promovidas por credores que obtiveram decisões favoráveis na Justiça.
Credores que conquistaram decisões favoráveis nos tribunais enfrentam dificuldades para recuperar seus créditos, uma vez que os valores não são localizados nas contas bancárias de Sérgio Habib ou de sua esposa, Sandra Habib, há anos. Esforços para bloqueio de valores têm sido infrutíferos, indicando uma possível ocultação de bens ou dificuldades financeiras que impedem a satisfação das dívidas. O casal possui uma extensa lista de débitos, incluindo aluguéis de imóveis utilizados como concessionárias em diferentes regiões do país, além de dívidas com fornecedores e funcionários da JAC Motors.
Em 2018, Sérgio Habib solicitou a recuperação judicial do Grupo SHC, diante de uma dívida que se aproximava de R$ 1 bilhão. O procedimento foi homologado em 2019, e desde então, o plano de pagamento vem sendo contestado por credores, que alegam não terem recebido os valores acordados e apontam o surgimento constante de novas dívidas, agravando o quadro financeiro do grupo. A situação reflete dificuldades na gestão e na quitação dos compromissos assumidos pelo empresário.
Paralelamente às questões financeiras, Sérgio Habib e Sandra Habib mantêm uma rotina de ostentação nas redes sociais, exibindo viagens internacionais e um estilo de vida considerado luxuoso. Essas informações foram anexadas a pelo menos um dos processos movidos por credores, que alegam que o casal estaria tentando ocultar bens de seus credores. Entre os bens de luxo, destaca-se uma mansão localizada em Trancoso, no sul da Bahia, avaliada em aproximadamente R$ 300 milhões. A propriedade, de 40 mil metros quadrados, possui 12 suítes, cinco bangalôs e uma vista privilegiada para o mar, sendo considerada uma residência de alto padrão e símbolo do estilo de vida do casal.
Outra controvérsia envolve a venda de um imóvel de propriedade do casal, também ligado ao patrimônio de Sérgio Habib, enquanto tramitava uma execução judicial. O caso refere-se a uma dívida de aproximadamente R$ 2,5 milhões, relacionada a um contrato de garantia de uma concessionária Citroën. Os advogados dos credores alegam que a venda da mansão ocorreu enquanto a execução ainda estava em curso, configurando uma suposta fraude à execução. Essa alegação reforça a tentativa de bloquear ou recuperar valores de bens considerados ocultados ou transferidos de forma irregular.
Em petição protocolada nos autos do processo, os defensores dos credores solicitaram medidas como a apreensão da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e do passaporte de Sérgio Habib, visando dificultar a fuga ou o deslocamento do empresário. O Metrópoles tentou contato com Sérgio e Sandra Habib para obter suas versões, mas não obteve retorno até o momento. A assessoria de imprensa da Jac Motors também foi acionada, porém informou que sua equipe de comunicação foi demitida, permanecendo o espaço aberto para manifestações futuras.
A situação de Habib evidencia um cenário de dificuldades financeiras, conflitos judiciais e ações de credores que buscam recuperar valores de uma dívida que, até o momento, permanece sem solução definitiva.








