Na trama de “Quem Ama Cuida”, a personagem Adriana, interpretada por Leticia Colin, passa a adotar estratégias de manipulação semelhantes às que Pilar, vivida por Isabel Teixeira, costumava usar. Apesar de condenar as ações de Pilar, Adriana decide reproduzir esses métodos com o objetivo de vingar-se de Ademir, personagem de Dan Stulbach, formando uma conexão perigosa entre suas atitudes e as táticas empregadas pela antagonista anteriormente. Sua intenção é usar Dora, interpretada por Mariana Ximenes, como peça-chave em seu plano de retaliação, utilizando o relacionamento da empresária com André, vivido por Henrique Barreira, para prejudicar o advogado criminalista.
O mais intrigante nessa mudança de postura é que Adriana, pouco tempo antes, havia se reconciliado com Dora. A fisioterapeuta reconheceu sua omissão no julgamento que condenou injustamente Dora pela morte de Arthur Brandão, personagem de Antonio Fagundes, e declarou acreditar na inocência da ex-detenta, chegando a pedir desculpas pelo ocorrido. Essa reconciliação, no entanto, não impede Adriana de envolver Dora em sua estratégia de vingança, demonstrando que sua postura é movida por interesses pessoais e não por uma mudança genuína de caráter.
Após essa reconciliação, Adriana revela a Mau Mau, personagem de João Victor Gonçalves, seus planos de fazer Ademir flagrar Dora com seu sobrinho. Para isso, ela conta com a ajuda de Lyris, interpretada por Pri Helena, que desempenha papel fundamental na execução do esquema. Lyris entra em contato com Ademir, telefonando para alertá-lo de que Dora estará com André em sua residência, além de fornecer a nova senha do apartamento, garantindo que o advogado possa invadir o local sem dificuldades. Na ocasião, Ademir encontra Dora na cama com André, o que provoca uma reação violenta do advogado, que parte para cima de André. No entanto, Dora intervém e esclarece que não é mais esposa de Ademir, o que resulta na sua expulsão do imóvel.
Implicações e dilemas éticos na manipulação de Adriana
Embora Adriana consiga atingir seus objetivos ao colocar Ademir contra Dora, a estratégia levanta uma questão ética importante: Dora não participa conscientemente da armação. Sua relação, sua intimidade e até sua residência são utilizados como instrumentos na vingança de Adriana contra Ademir. Essa instrumentalização evidencia uma semelhança com o comportamento de Pilar, que construiu sua trajetória manipulando pessoas ao seu redor para atender a seus interesses. A principal diferença reside no fato de que Pilar utilizava o controle como instrumento de poder, enquanto Adriana reage às injustiças sofridas, embora também utilize estratégias que envolvem manipulação e instrumentalização de terceiros.
Apesar dessa distinção, o mecanismo de ação começa a se parecer. Em vez de confrontar diretamente seus adversários, Adriana movimenta outras pessoas para que eles caiam, como exemplificado na situação de Dora. Essa postura revela uma evolução na personagem, que, mesmo após a reconciliação, demonstra que continuará a usar as pessoas ao seu redor como peças em seus jogos pessoais. Assim, a narrativa evidencia um conflito interno e uma transformação na personagem, que, ao mesmo tempo em que busca justiça, se aproxima de comportamentos éticamente questionáveis.









