O documentário intitulado “Tudo Pode Ser Visto” (originalmente “You Can See Everything”), dirigido por Nathan Fielder e Lance Oppenheim, tem previsão de estreia nos cinemas do Brasil para o dia 26 de novembro. Antes de sua estreia oficial nas salas de exibição comerciais, a produção será exibida na 50ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, na qual será o filme de encerramento. A sessão de encerramento está marcada para o dia 29 de outubro, às 18 horas, no Teatro Cultura Artística, ocorrendo após a cerimônia de premiação do evento.
A produção é uma parceria entre a distribuidora norte-americana A24 e a Sony Pictures, responsável pela distribuição no Brasil. A narrativa do documentário acompanha os últimos dias de liberdade de Elizabeth Holmes, empresária condenada por fraude após o colapso da Theranos, startup fundada por ela em 2003. A Theranos prometia revolucionar os exames laboratoriais ao realizar centenas de testes com apenas algumas gotas de sangue, uma proposta que atraiu investimentos milionários e elevou Holmes ao status de uma das figuras mais conhecidas do Vale do Silício. No entanto, a tecnologia apresentada pela empresa não funcionava conforme o divulgado, o que resultou na condenação de Holmes por fraude contra investidores e na sua sentença de prisão por 11 anos e três meses.
O documentário inicia sua narrativa 34 dias antes da prisão de Elizabeth Holmes, momento em que ela convida uma equipe de filmagem para registrar sua rotina. O que inicialmente parecia ser um retrato íntimo da empresária evolui para um acompanhamento de três anos, incluindo o período em que ela esteve presa. As filmagens foram retomadas dois anos após o encontro na residência de Holmes, ampliando a narrativa com novos desdobramentos e questionamentos acerca da influência de Billy Evans, seu companheiro na época, na gestão da imagem pública de Holmes durante o período de sua prisão.
A produção revela ainda detalhes sobre o impacto da condenação de Holmes na sua vida pessoal e na percepção pública de sua figura, além de explorar a relação dela com Billy Evans, que teve papel importante na sua narrativa durante o cárcere. O filme também aborda o contexto de uma das maiores fraudes do setor de tecnologia e saúde, que colocou em xeque a credibilidade de uma jovem empresária que, por anos, foi vista como uma inovadora no mercado de biotecnologia.
Desde sua estreia surpresa no Festival de Telluride, nos Estados Unidos, “Tudo Pode Ser Visto” tem recebido atenção da crítica especializada e gerado discussões acerca de sua possível indicação ao Oscar na categoria de Melhor Documentário. Caso seja selecionado, o filme poderá se tornar o primeiro documentário na história a concorrer ao prêmio principal da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, destacando-se não apenas por sua relevância temática, mas também pela sua qualidade e impacto narrativo.








