A influenciadora trans Malévola Alves retornou ao Brasil na noite de sexta-feira, 23 de outubro, após passar aproximadamente 15 horas detida no Egito, onde afirma ter sido vítima de abusos e tratamento discriminatório por parte das autoridades locais. Sua chegada ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, foi acompanhada por uma equipe de reportagem do portal LeoDias, composta pelos jornalistas Cíntia Lima e Adriel Marques, que ouviu seu relato sobre os episódios ocorridos durante sua prisão.
Malévola relatou que, ao desembarcar, foi abordada por policiais egípcios enquanto fazia um passeio turístico com um grupo de amigos. Segundo ela, a abordagem resultou na apreensão de seus documentos, incluindo passaporte, e na condução para uma delegacia local, onde permaneceu por mais de 15 horas sem acesso a água ou condições dignas de detenção. Ela descreveu o período de prisão como humilhante, reforçando que o tratamento recebido esteve relacionado à sua identidade de gênero. A influenciadora afirmou ter sido submetida a uma espécie de violência sexual e a uma situação de discriminação, sendo tratada como criminosa e como lixo, apenas por ser uma mulher trans.
Malévola também criticou a forma como as autoridades egípcias lidaram com a situação, especialmente após ela e suas amigas terem feito reclamações por assédio, sem que houvesse qualquer providência por parte da polícia. Ela relatou que, quando tentou denunciar o assédio, o policial presente não tomou nenhuma atitude, o que a levou a questionar a hipocrisia do sistema de segurança do país. Além disso, ela afirmou que o processo judicial contra ela e suas companheiras ainda está em andamento no Egito e declarou que não pretende retornar ao país, expressando repúdio ao tratamento recebido.
A influenciadora destacou que, anteriormente, já havia visitado o Egito sem problemas, inclusive Alexandria, acompanhada de sua mãe. A atual abordagem ocorreu durante uma visita turística, quando uma van contendo diversos turistas foi parada por autoridades egípcias, que levaram seus passaportes e as conduziram à delegacia. Ela descreveu o episódio como uma experiência de humilhação, agravada pelo fato de sua orientação sexual e identidade de gênero serem alvo de discriminação explícita naquele contexto.
Malévola também abordou o impacto do episódio na sua percepção do país, afirmando que se sentiu vítima de abuso sexual e de uma forma de violência institucional. Ela reforçou que a situação reflete uma postura discriminatória que, segundo ela, é comum a diversos países com legislações restritivas para pessoas trans. Como exemplo, citou a experiência de uma amiga que foi impedida de entrar em Dubai por ser trans, levantando questionamentos sobre a vulnerabilidade de pessoas LGBTQ+ em diferentes regiões do mundo.
Ao encerrar sua declaração, Malévola afirmou que os episódios vividos não definem sua identidade ou caráter, reforçando sua intenção de não se calar diante do que considera uma injustiça. Ela também manifestou apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), concluindo sua fala com uma manifestação política, afirmando que “não vamos ficar quietas” e reforçando sua posição de resistência frente às dificuldades enfrentadas por ela e por outras pessoas trans.







