O Museu Inimá de Paula, situado no Centro de Belo Horizonte, recebe a partir desta quarta-feira, 22 de julho, uma exposição com 45 obras inéditas do artista Ramaya Vallias, natural de Belo Horizonte. A mostra propõe uma leitura que navega entre a tradição de mestres históricos e a linguagem contemporânea, apresentando referências a nomes como Leonardo da Vinci, Van Gogh, Frida Kahlo, Tarsila do Amaral, Belchior e até o cientista Albert Einstein, exploradas de formas nunca vistas anteriormente. A entrada é gratuita, e a exposição fica aberta ao público até o dia 20 de setembro, funcionando de terça-feira a domingo.
Com a temática “Mestres e Influências: A construção do Olhar”, a mostra dialoga com a linguagem do realismo abstrato. A curadoria fica a cargo de Ramaya Vallias e Romero Pimenta, com a co-curadoria de Vivas Almeida. O conjunto de obras convida o visitante a compreender como as influências do passado podem ser reinterpretadas pelo olhar atual, abrindo espaço para a expressão pessoal do artista.
A visão de Ramaya sobre a escolha dos mestres e a construção do olhar
Em entrevista à Itatiaia, o artista explicou a motivação por trás da homenagem aos pintores, músicos, pensadores e outras personalidades que marcaram o mundo. “Eu chamo de a construção do olhar nessa primeira fase. Eu busco os meus mestres, aqueles que me ajudaram a pensar, aqueles que eu conheci nos livros de escola, aqueles que as obras ainda falam até hoje de forma assim intensa. Os museus estão cheios no mundo dessas artes. Por quê? Porque ela está falando, ela está ecoando. Ela foi feita num momento e esse momento se repete até hoje, porque as pessoas se repetem. Então, eu busquei ouvi-las e entendê-las. Interpretá-las, dialogar com cada um desses artistas, influências. E, a partir daí, responder com a minha voz nesse mundo que eu vivo hoje”, afirmou.
Ramaya também enfatizou que a arte não está limitada a uma única linguagem. “É o meu ponto de partida, não o final. E a abstração, ela entra na emoção, nas cores. Eu gosto de fazer muita obra figurativa, rostos, porque eu entendo que pintar rostos requer de nós ao mesmo tempo o realismo da presença, mas a abstração no sentido de pintar identidade, pintar cheiro, pintar intenção, pintar emoção. Então, essa é a minha linguagem”, contou à Itatiaia.
Processo criativo e linguagem da exposição
Ao longo da mostra, Ramaya trabalha com a ideia de brincar com palavras e formas, sem a pretensão de reproduzir literais as obras ou estilos dos mestres. “Não procuro reproduzir os mestres. Procuro compreender o que eles ainda têm a dizer ao nosso tempo. A influência foi o início. A linguagem própria é o destino. Toda influência termina quando começa o seu olhar”, escreveu o artista, sintetizando a lógica de sua produção.
Tecnologia e acesso à informação
Além da construção estética, as obras contam com recursos tecnológicos de acessibilidade: cada pintura é acompanhada de uma tag NFC e de um QR code exclusivo. Ao escanear o código com a câmera de um celular, o público pode acessar informações como a biografia do personagem retratado, o contexto histórico em que viveu e a inspiração que motivou a criação da obra, ampliando a experiência de leitura da exposição.
Exposição “Mestres e Influências: A construção do Olhar” no Museu Inimá de Paula
22 de julho a 20 de setembro







