A disputa judicial entre o jornalista Everton Di Souza, conhecido como Fofoquito, e o líder religioso Valdemiro Santiago avançou para uma nova fase após a Justiça de São Paulo negar recurso da Igreja Mundial e autorizar a penhora de bens do apóstolo. A decisão, proferida pelo desembargador Enéas Costa Garcia, da 1ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, mantém a determinação de desconsiderar a personalidade jurídica de empresas e entidades relacionadas ao líder religioso, incluindo suas igrejas e contas pessoais, permitindo o bloqueio de bens e valores.
A ação judicial, que já dura cerca de 15 anos, teve início com a cobrança de direitos autorais referentes a uma música utilizada pela Banda Mundial e à remuneração de um documentário intitulado “De Menino Pobre a Apóstolo de Deus”, que narra a trajetória de Valdemiro Santiago. O processo foi inicialmente vencido por Fofoquito em primeira instância em 2019, mas o jornalista recebeu apenas 30% do valor acordado, tendo as parcelas subsequentes deixado de ser pagas. O valor líquido reconhecido judicialmente até o momento é de aproximadamente R$ 909 mil, mas, com atualizações, a dívida total já se aproxima de R$ 1 milhão.
A decisão do Tribunal de Justiça reforça a existência de um grupo econômico de fato e a chamada “confusão patrimonial” entre as estruturas empresariais e religiosas envolvidas. Entre as provas apresentadas estão a identidade de sócios e administradores de empresas como a WS Music Ltda e a Intertevê Serviços Ltda, ambas controladas por Valdemiro Santiago e sua esposa, Francileia de Castro Gomes de Oliveira, com ingresso societário na mesma data. Além disso, há evidências de que doações e dízimos arrecadados em cultos da Igreja Mundial do Poder de Deus eram desviados para contas bancárias vinculadas à Igreja Mundial Mais que Vencedores, por meio de chaves PIX e QR Code.
Valdemiro Santiago também admitiu publicamente, em entrevista a um jornal de grande circulação, que há uma mistura de recursos, afirmando que utilizava dinheiro proveniente da venda de CDs musicais para investimentos no setor agropecuário, como a compra de gado para pagar horários na televisão. Essa confissão reforça a estratégia de blindagem patrimonial adotada por ele e suas instituições, dificultando a cobrança de dívidas.
Com a manutenção da decisão de desconsiderar a personalidade jurídica, as empresas e as igrejas envolvidas passam a responder integralmente pela dívida de cerca de R$ 1 milhão. A medida já permite o início do bloqueio de contas bancárias e bens de Valdemiro Santiago, sua esposa e das entidades relacionadas, consolidando uma etapa importante na execução do processo.
O portal LeoDias entrou em contato com a Igreja Mundial do Poder de Deus para obter uma manifestação oficial, mas até o momento não obteve retorno. A matéria acompanha o avanço do caso, que evidencia a complexidade das relações patrimoniais e jurídicas envolvendo figuras de destaque no cenário religioso brasileiro.








