O rei Oyo Nyimba, do reino de Tooro, na Uganda, faleceu nesta sexta-feira (28), aos 34 anos, em decorrência de uma doença que o mantinha internado nos Estados Unidos. Sua morte ocorreu exatamente um dia após o falecimento do rei Harald V, da Noruega, aos 89 anos, na quinta-feira (27). Ambos os monarcas tiveram trajetórias marcantes e governaram por mais de três décadas, em contextos políticos distintos, uma vez que os respectivos países atualmente são repúblicas governadas por chefes de Estado eleitos.
O rei Harald V nasceu em 1937, na residência de Skaugum, na Noruega, sendo filho do príncipe herdeiro Olav e da princesa Märtha. Ele era neto do rei Haakon VII e foi o primeiro príncipe a nascer na Noruega em mais de 500 anos, marcando uma nova era na monarquia norueguesa. Ascendeu ao trono em 1991, após a morte do pai, e seu reinado foi caracterizado por uma postura de modernização e preservação das tradições reais. Apesar de sua idade avançada e de problemas de saúde recentes, Harald V sempre afirmou que seu compromisso com o cargo era para toda a vida, tendo passado a usar um marca-passo após dificuldades de saúde durante uma viagem à Malásia em 2024. Desde então, reduziu significativamente suas atividades oficiais, mas manteve o papel de chefe de Estado do país.
Por outro lado, o rei Oyo Nyimba nasceu em 1992, no pequeno reino de Tooro, na região oeste de Uganda, próximo à fronteira com a República Democrática do Congo. Sua ascensão ao trono ocorreu em 1995, aos três anos de idade, após a morte do pai, Rukirabasaija Patrick David Matthew Kaboyo Olimi III. Desde então, governou o reino tradicional de Tooro, uma das várias entidades tradicionais que coexistem com o Estado ugandês, mantendo uma influência cultural e simbólica significativa. Sua trajetória foi marcada pelo envolvimento com as tradições locais e pela representação de uma história ancestral que remonta a séculos.
A morte do rei Oyo Nyimba foi confirmada por seu primeiro-ministro, Calvin Armstrong Rwomiire Akiiki, que comunicou que o monarca estava internado nos Estados Unidos para tratamento de uma doença cuja causa e detalhes não foram divulgados. Segundo o comunicado oficial, o falecimento ocorreu por volta das 22h (horário local). O primeiro-ministro afirmou que a perda é irreparável para a família real, o povo de Tooro e a nação de Uganda, reforçando que a continuidade da monarquia está garantida, com a nomeação de um herdeiro que será revelado conforme os costumes tradicionais.
Ambos os monarcas estavam doentes antes de suas mortes, tendo passado por internações prolongadas. Harald V enfrentava uma anemia hemolítica e uma infecção bacteriana no sangue, agravadas durante sua hospitalização em Oslo. Sua condição deteriorou-se ao longo do período de tratamento, levando ao seu falecimento. O rei também havia passado por procedimentos como a instalação de um marca-passo, refletindo problemas de saúde que contribuíram para sua decisão de reduzir suas atividades oficiais, embora jamais tenha considerado abdicar do trono, reafirmando seu compromisso vitalício.
A morte de Harald V e Oyo Nyimba, ocorrida com uma diferença de apenas um dia, marca o encerramento de duas eras distintas de realeza, uma na Europa e outra na África, ambas com trajetórias que marcaram suas respectivas histórias nacionais e culturais. Enquanto o rei norueguês deixa um legado de mais de três décadas de reinado, o monarca ugandês foi símbolo de uma tradição ancestral que perdura em meio às transformações políticas e sociais de seus países.








