Eliminado pelo Grêmio na semifinal da Copa do Brasil, o Atlético terá duas semanas para recuperar jogadores, reorganizar o time e tentar reconstruir a confiança antes da final da Copa Sul-Americana contra o Boca Juniors. A decisão está marcada para o próximo dia 21, em Barranquilla, na Colômbia. Apesar da crise na reta final da temporada, o clube ainda pode conquistar um título em 2026 e assegurar uma vaga na próxima edição da Copa Libertadores.
A desclassificação ocorreu na noite de sábado (7/11), na Arena MRV, e ampliou uma sequência que já pressionava o time. O Atlético chegou ao confronto decisivo depois de cinco derrotas consecutivas e deixou o campo com seis partidas sem vitória, sendo cinco resultados negativos e um empate.
O momento ruim não se limita aos resultados. Nas últimas semanas, a equipe enfrentou uma série de problemas físicos, perdeu alternativas no ataque e demonstrou instabilidade no sistema defensivo. As dificuldades apareceram justamente na fase mais importante do calendário, quando o time disputava a vaga na decisão da Copa do Brasil e se preparava para a final continental.
Nos dois confrontos com o Grêmio, o Atlético teve volume de jogo, mas não conseguiu transformar a posse de bola e a pressão exercida em gols. Ao todo, foram 49 finalizações nas partidas da semifinal e apenas um gol marcado. O dado expõe a baixa eficiência ofensiva e a dificuldade da equipe para criar oportunidades realmente perigosas.
Mesmo com a Arena MRV lotada no duelo de volta, o time encontrou obstáculos para superar a defesa gremista. A equipe buscou controlar as ações, circulou a bola e tentou encontrar espaços, mas voltou a apresentar pouca criatividade e baixo aproveitamento no terço final do campo. O problema já havia sido observado no primeiro encontro entre os clubes.
Desfalques limitaram as alternativas ofensivas
As lesões reduziram especialmente as opções para o ataque. Sem Reinier, Thiago Borbas e Mateo Cassierra, o Atlético viajou para Porto Alegre para o primeiro jogo da semifinal com apenas Cauã Soares disponível para atuar como atacante. A solução com o jovem não foi suficiente para mudar o cenário ofensivo da equipe.
Na partida em Belo Horizonte, Cassierra voltou a ser relacionado e ficou no banco. O atacante havia acabado de se recuperar de uma lesão e ainda não apresentava as condições ideais para começar o confronto. Cauã, por outro lado, nem sequer foi incluído na lista de jogadores para a partida.
As limitações também atingiram outros setores. O goleiro Everson, o zagueiro Ruan Tressoldi e o volante Fred passaram períodos afastados por problemas físicos e retornaram recentemente. Embora estivessem novamente à disposição, os três ainda precisavam recuperar o ritmo de competição.
Após a eliminação, o técnico Eduardo Domínguez explicou que Fred e Cassierra haviam realizado somente um treinamento completo com o restante do grupo antes do jogo. Por esse motivo, ambos não começaram como titulares. A situação ilustra o impacto dos problemas físicos sobre a formação e sobre as possibilidades de substituição do Atlético.
Atlético terá o Campeonato Brasileiro antes da decisão
O intervalo até a final da Sul-Americana será utilizado para a recuperação dos atletas e para a preparação emocional do elenco. Antes do compromisso contra o Boca Juniors, porém, o Atlético ainda enfrentará o Mirassol no próximo dia 14, pelo Campeonato Brasileiro.
Domínguez precisará aproveitar o período para reintegrar jogadores que voltaram recentemente do departamento médico, recuperar o condicionamento dos atletas e buscar soluções para o baixo rendimento no ataque. A sequência sem vitórias também aumenta a necessidade de devolver estabilidade ao time antes da decisão em Barranquilla.
A final continental ganhou importância ainda maior depois da queda para o Grêmio. Caso tivesse avançado na Copa do Brasil, o Atlético garantiria pelo menos uma vaga na pré-Libertadores de 2027. Com a eliminação, o clube terá de conquistar a Sul-Americana ou reagir no Campeonato Brasileiro para tentar alcançar a classificação.
O campeão da Sul-Americana terá vaga na fase de grupos da Libertadores do ano seguinte. Para o Atlético, o eventual título representaria também o fim do jejum de conquistas internacionais e a presença na principal competição de clubes do continente.
A decisão contra o Boca Juniors será ainda uma oportunidade para o clube interromper uma sequência recente de finais perdidas. Em 2024, o Atlético terminou como vice-campeão da Copa do Brasil e da Libertadores, com derrotas para Flamengo e Botafogo, respectivamente. No ano seguinte, disputou novamente uma final continental, desta vez na Sul-Americana, mas ficou outra vez com o segundo lugar.
No Campeonato Brasileiro, o caminho é mais complexo. O Atlético ocupa a sétima posição, com 50 pontos, quatro a menos que o Athletico-PR, quinto colocado. O Galo ainda pode alcançar a zona de classificação, mas precisará reagir nas rodadas finais e contar também com uma possível ampliação do número de vagas destinadas aos clubes da Série A.








