Adenor Leonardo Bachi, um gaúcho de 64 anos(completa 65 dia 25 de maio próximo), um das pessoas mais educadas no meio do futebol(onde vale tudo) é um emblemático treinador de futebol. Tite, o técnico mais vitorioso em clubes no Brasil e no geral o segundo, só perdendo para Felipão, vive um verdadeiro inferno astral. Um verdadeiro inferno na prática passa o comandante cruzeirense.
Depois de dois ciclos seguidos no comando da Seleção Brasileira em duas Copas do Mundo e um merecido descanso para cuidar da saúde mental, ele voltou para um período muito curto no Flamengo e, sem resultados, foi demitido. Descansou mais um pouco e baixou no Cruzeiro de 2026, com a dura missão de fazer algo melhor que seu antecessor, Leonardo Jardim, fizera ano passado. Missão tão difícil que talvez nem o próprio Jardim possa conseguir: ganhar um título(Libertadores ou Brasileirão ou até mesmo a Copa do Brasil).
Curriculum Tite tem e de sobra: Campeão Estadual por todos os estados que passou; Campeão da Copa do Brasil, Campeão Brasileiro, Copa Sul-Americana, Recopa Sul-Americana, Libertadores e Campeão Mundial de Clubes. Nenhum técnico brasileiro tem esta quantidade de títulos. Felipão, o primeiro geral, nunca foi campeão mundial de clubes, mas leva vantagem em Seleções: Tite ganhou urna Copa América. Já Felipão ganhou uma Copa do Mundo, levou Portugal às semifinais de outra e foi vice-campeão da Eurocopa.
E este homem, Tite que vive o pior momento da sua vida como treinador de futebol, que começou há 36 anos, no Guarany de Garibaldi. Há um mês assumiu o Cruzeiro, com credibilidade zero perante sua própria torcida, muito por causa das Copa de 2018 e 22, em que caiu na reta final com a Seleção Brasileira. E como começou mal, jogando em plena pré-temporada, que aliás estaria sendo encerrada agora, seus números são ruins, o que é normal para todo time grande engolido pelo insano calendário do futebol brasileiro.
Aliás o técnico Tite é engolido pelo calendário, que não dá tempo para treinar e descansar: a Lei é ganhar, custe o que custar, pior que Lei da Selva. Vai precisar de tempo e tempo ele não tem e nem terá. E o torcedor, geralmente um fanático que não mede consequências, crucifica qualquer treinador, sem mesmo saber das circunstâncias que envolve um trabalho. Mas a crucificação de Tite é muito mais penosa: torcedor não dá a ele nenhuma credibilidade, contesta tudo e o pior, o desrespeita, xingando-o. Não existe empatia. Tite, um homem triste à beira do campo, tem como principal adversário o seu próprio torcedor.








