
As câmeras de monitoramento instaladas em Belo Horizonte serão conectadas à plataforma de reconhecimento facial da Polícia Federal. A parceria pretende ajudar as forças de segurança a localizar pessoas com mandados de prisão em aberto e pessoas desaparecidas que estejam circulando pela capital mineira.
A integração faz parte do Muralha BH, programa municipal que reúne câmeras, inteligência artificial e bancos de dados para ampliar o monitoramento de ruas, praças, escolas, unidades de saúde, grandes avenidas e acessos à cidade.
Na prática, a imagem captada por uma câmera poderá ser comparada com os registros disponíveis na plataforma da Polícia Federal. Caso o sistema encontre uma possível semelhança, será produzido um alerta para análise.
A Prefeitura ressalta, porém, que o aviso do computador não será suficiente, sozinho, para determinar uma abordagem ou prisão. Antes de qualquer medida, profissionais da Polícia Federal deverão analisar e validar tecnicamente a correspondência.
Como o reconhecimento facial funcionará?
O sistema deverá seguir algumas etapas:
- Uma pessoa passa diante de uma câmera conectada ao Muralha BH;
- a imagem é encaminhada para processamento na plataforma da Polícia Federal;
- o programa compara características do rosto com registros disponíveis;
- caso encontre uma possível correspondência, emite um alerta;
- profissionais da Polícia Federal conferem as imagens e os dados;
- somente depois da validação, o órgão responsável poderá avaliar uma medida operacional.
Isso significa que o sistema não terá autonomia para declarar que alguém é procurado, ordenar uma prisão ou determinar uma abordagem policial.
Segundo a Prefeitura de Belo Horizonte, a ferramenta funcionará apenas como apoio ao trabalho humano. A decisão continuará sob responsabilidade dos profissionais e órgãos de segurança, conforme os protocolos estabelecidos.
Quem poderá ser localizado?
A parceria pretende ampliar principalmente a capacidade de localização de:
- pessoas com mandados de prisão em aberto;
- foragidos procurados pelas autoridades;
- pessoas registradas oficialmente como desaparecidas.
A Prefeitura afirma que a integração deverá respeitar a legislação, os protocolos de proteção de dados e as regras de segurança da informação. Até o momento, entretanto, não foram divulgados detalhes públicos sobre o tempo de armazenamento das imagens, os critérios mínimos de correspondência facial ou o procedimento para contestação de uma identificação equivocada.
Uma câmera poderá prender alguém automaticamente?
Não. Essa é uma das principais dúvidas sobre o sistema.
O reconhecimento facial poderá apontar que o rosto filmado tem características semelhantes às de uma pessoa cadastrada. Esse resultado, porém, será apenas um alerta.
A própria Prefeitura afirma que a tecnologia:
- não realiza identificação definitiva de maneira automática;
- não toma decisões de forma autônoma;
- não determina prisões;
- depende da validação de profissionais da Polícia Federal.
Portanto, o aviso tecnológico deverá ser conferido antes que alguma força policial seja acionada. A medida busca reduzir o risco de uma ação baseada exclusivamente na avaliação do programa.
O que é o Muralha BH?
O Muralha BH é um sistema de monitoramento inteligente desenvolvido pela Secretaria Municipal de Segurança e Prevenção, em parceria com a Empresa de Informática e Informação do Município de Belo Horizonte, a Prodabel.
O projeto pretende integrar câmeras, leitura automática de placas, reconhecimento facial, análise de imagens e bases de dados de diferentes órgãos públicos.
As câmeras serão distribuídas por pontos considerados estratégicos, como:
- escolas municipais;
- centros de saúde;
- praças e parques;
- vias de grande movimento;
- entradas e saídas de Belo Horizonte;
- corredores urbanos;
- divisas com municípios vizinhos;
- Novo Anel Rodoviário.
A estimativa mais recente divulgada pela Prefeitura prevê a instalação de mais de 10 mil câmeras. Quando o programa foi lançado, em outubro de 2025, o planejamento citava mais de 12 mil equipamentos, incluindo aproximadamente 1.500 câmeras com reconhecimento facial e 2.650 destinadas à leitura de placas. Os números podem variar conforme as fases e atualizações do projeto.
Imagens serão acompanhadas no COP-BH
O acompanhamento das câmeras municipais é feito pelo Centro Integrado de Operações de Belo Horizonte, o COP-BH, que funciona 24 horas por dia.
O espaço reúne representantes de órgãos ligados à segurança, mobilidade, saúde e atendimento de emergências. Atualmente, o centro já recebe imagens de mais de 5 mil câmeras próprias e de instituições parceiras.
A implantação do Muralha BH deverá ampliar significativamente essa rede de videomonitoramento.
Sistema também vai identificar veículos procurados
A integração com a Polícia Federal não é a única parceria ligada ao projeto.
Em junho, a Prefeitura assinou um convênio com a Polícia Rodoviária Federal para acessar a base nacional do Projeto Alerta Brasil. Com isso, as câmeras com leitura de placas poderão emitir avisos quando detectarem veículos com restrições, como registro de furto ou roubo.
A parceria também prevê acesso a informações relacionadas ao Renavam, ao Renach e ao Banco Nacional de Mandados de Prisão. O objetivo é identificar veículos procurados e apoiar a localização de motoristas com pendências judiciais.
Reconhecimento facial pode cometer erros?
Sistemas de reconhecimento facial trabalham com probabilidades de correspondência. Fatores como iluminação, posição do rosto, qualidade da câmera, mudanças na aparência e resolução da imagem podem interferir no resultado.
Por isso, um alerta não deve ser tratado automaticamente como confirmação de identidade. No modelo anunciado para Belo Horizonte, a Polícia Federal ficará responsável pela conferência técnica antes de qualquer ação.
A Prefeitura ainda não detalhou publicamente qual será o índice mínimo de semelhança exigido para gerar alertas nem quais medidas específicas serão adotadas quando a análise humana concluir que houve um falso reconhecimento.
Quando começa a funcionar?
A parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte e a Polícia Federal foi anunciada em 9 de julho de 2026.
O comunicado oficial explica como será a integração, mas não apresenta uma data exata para o início da operação conjunta nem informa quantas câmeras estarão conectadas na primeira etapa.
O sistema deverá avançar conforme a instalação dos equipamentos e a integração das plataformas. O planejamento municipal prevê a ampliação gradual do Muralha BH ao longo de 2026 e entregas adicionais até 2028.
O que se sabe até agora
- BH conectará câmeras municipais à plataforma da Polícia Federal;
- o sistema poderá emitir alertas sobre foragidos e pessoas desaparecidas;
- os alertas deverão passar por análise humana;
- nenhuma prisão será determinada automaticamente pela tecnologia;
- a iniciativa faz parte do programa Muralha BH;
- mais de 10 mil câmeras estão previstas no projeto municipal;
- a data de início da operação integrada ainda não foi informada.









