O chefe de cozinha Marcelo Haddad Guerra, de 47 anos, suspeito de praticar importunação sexual contra uma funcionária do restaurante Paladino, localizado na Região da Pampulha, em Belo Horizonte, foi colocado em liberdade provisória na quarta-feira (21). A prisão ocorreu no mesmo dia em que a polícia efetuou sua detenção, mas a Justiça concedeu-lhe o direito de responder ao processo sob medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
A decisão judicial, que tramita em segredo de Justiça, foi fundamentada na primariedade do acusado, sua ausência de antecedentes criminais e na manifestação favorável do Ministério Público à sua soltura. Além das restrições de monitoramento eletrônico, Marcelo está proibido de se aproximar a menos de 300 metros da vítima, além de ter que cumprir um regime de restrição de horário: permanecer em casa das 20h às 6h durante os dias úteis e durante todo o dia nos fins de semana e feriados, pelo período de 90 dias. O descumprimento dessas medidas pode resultar na decretação de sua prisão preventiva.
A denúncia contra Marcelo Haddad Guerra foi registrada na Polícia Civil na quarta-feira, após um episódio ocorrido no dia anterior, 20 de outubro, quando a funcionária chegou ao restaurante para iniciar seu turno de trabalho. Segundo relato da vítima, ela foi até uma sala de armazenamento de materiais de serviço — um espaço equipado com câmeras de segurança — e foi seguida pelo chefe de cozinha, que, conforme ela alega, passou a agir de forma inadequada.
De acordo com o boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, Marcelo teria questionado a funcionária sobre um piercing que ela usava nos seios e, em seguida, tocado suas partes íntimas, além de dar um tapa leve em suas nádegas. O documento policial descreve que o suspeito teria se aproximado da vítima, começado a acariciar seus seios e, posteriormente, dado um tapa nas nádegas dela. A funcionária, surpresa e sem reação, conseguiu se afastar e pediu que o chefe de cozinha interrompesse a conduta, o que, segundo ela, foi minimizado por Marcelo, que alegou tratar-se de uma brincadeira.
A vítima foi apoiada por uma parente, que preferiu manter a identidade preservada. Em entrevista, ela manifestou revolta com o episódio e destacou a importância de que casos como esse sejam investigados com rigor. A familiar também relatou que a funcionária chegou a questionar se teria alguma responsabilidade pelo ocorrido, demonstrando o impacto emocional do incidente. Ela reforçou a necessidade de que todas as mulheres tenham coragem para denunciar situações de abuso sexual.
A defesa de Marcelo Haddad Guerra negou as acusações de importunação sexual. Em nota enviada à reportagem, os advogados do suspeito afirmaram confiar que a investigação irá demonstrar sua inocência e ressaltaram que a decisão de conceder a liberdade provisória foi tomada pela Justiça na mesma quarta-feira.
Em resposta às suspeitas, o restaurante Paladino anunciou, na noite do mesmo dia, que afastou Marcelo de suas atividades. A medida foi adotada por prudência, até que os fatos sejam devidamente esclarecidos. A direção do estabelecimento também declarou solidariedade à funcionária e afirmou estar à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.







