Um enfermeiro de Belo Horizonte, Erivelton Cordeiro Carvalho, gerou polêmica nas redes sociais ao revelar que pagou R$ 92 pelo estacionamento do BH Shopping, localizado no bairro Belvedere, após deixar seu veículo por 5 horas e 49 minutos. A postagem, que inclui uma imagem do comprovante de pagamento, rapidamente se tornou viral, acumulando mais de 46 mil curtidas e cerca de 3,5 mil comentários em apenas dois dias.
Na publicação, Erivelton expressou sua indignação: “BH Shopping, aqui eu não volto jamais. Vocês perderam a noção completamente?”. A repercussão da postagem atraiu diversas reclamações semelhantes, com internautas relatando experiências semelhantes e considerando os valores cobrados como abusivos. Uma usuária comentou ter pago R$ 83 pelo estacionamento em uma visita recente, descrevendo a sensação como de estar “roubada”.
A ex-participante do Big Brother Brasil, Giovanna Lima, também se juntou às críticas. Em seu comentário, ela relatou ter pago R$ 50 apenas para assistir a um filme no shopping, questionando a “são paulização” dos preços nos estabelecimentos.
Em resposta ao clamor popular, o Procon do Ministério Público esclareceu que não existe uma regulamentação ou tabelamento dos preços cobrados por estacionamentos privados, incluindo os de shopping centers. Cada estabelecimento tem liberdade para estabelecer suas tarifas, desde que respeite as normas de proteção ao consumidor. Entre essas normas, destaca-se a obrigatoriedade de informar de maneira clara e precisa os preços e critérios de cobrança, permitindo que os consumidores conheçam os valores antes de utilizar o serviço.
Ricardo Souza, especialista em Direito do Consumidor e membro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MG), destacou que o Código de Defesa do Consumidor proíbe a imposição de vantagens abusivas ao consumidor. Contudo, ele ressalta que a definição do que é considerado abusivo pode ser subjetiva e depende do contexto, como a comparação com os preços médios dos estacionamentos na região. Segundo o advogado, cada caso deve ser analisado individualmente, e os consumidores que se sentirem prejudicados devem buscar orientação junto ao Procon.
O BH Shopping, por sua vez, defendeu sua política de preços, afirmando que os valores cobrados estão alinhados aos custos de operação e manutenção do estacionamento, com foco na segurança e qualidade dos serviços oferecidos. A tarifa base do estacionamento é de R$ 5,75 a cada 15 minutos, sendo que as duas primeiras horas são gratuitas. Após esse período, a cobrança retorna na mesma fração de 15 minutos.
A situação gerou um debate sobre a transparência e a razoabilidade dos preços cobrados por estacionamentos em shoppings, refletindo a insatisfação de muitos consumidores e a necessidade de uma discussão mais ampla sobre a regulamentação desses serviços.









