Uma unidade da rede municipal de ensino de Lagoa Santa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, suspendeu suas atividades nesta quinta-feira (1º) e sexta-feira (2 de novembro) após a confirmação de 21 casos de escabiose, popularmente conhecida como sarna humana, entre estudantes e funcionários. A medida foi adotada pela Prefeitura de Lagoa Santa, que reforçou a necessidade de ações preventivas para conter a disseminação da doença na instituição.
A Escola Municipal Mércia Margarida Lacerda, localizada no bairro Moradas da Lapinha, foi a primeira a registrar um caso em 18 de setembro passado. Na ocasião, uma estudante apresentou sintomas compatíveis com a doença, e posteriormente, a família comunicou à escola que ela havia recebido diagnóstico de escabiose. Além disso, uma professora também foi afastada após confirmação do diagnóstico, reforçando a preocupação com a propagação do ácaro Sarcoptes scabiei, responsável pela doença.
Com a ampliação do número de casos, a Secretaria Municipal de Educação decidiu interromper as atividades escolares por dois dias consecutivos. Durante esse período, a escola passará por uma limpeza completa de todos os ambientes, incluindo a realização de dedetização e a sanitização de instalações, além de uma atenção especial à caixa-d’água, que será limpa e desinfetada. A prefeitura destacou que a medida foi tomada com responsabilidade e cautela, tendo como prioridade a saúde das crianças, dos funcionários e de toda a comunidade escolar.
A transmissão da sarna ocorre principalmente pelo contato direto e prolongado com uma pessoa infectada, o que facilita sua disseminação em ambientes de convivência próxima, como escolas, creches e outros centros de convivência infantil. Além do contato direto, o contágio também pode acontecer pelo uso compartilhado de roupas, toalhas, lençóis e outros objetos contaminados. Essas características tornam a doença especialmente preocupante em ambientes coletivos, onde a circulação de pessoas é intensa.
A Secretaria Municipal de Saúde de Lagoa Santa foi acionada para acompanhar a situação de perto. Equipes do departamento de epidemiologia realizaram visitas à escola, com o objetivo de avaliar o cenário, orientar a comunidade escolar e estabelecer protocolos de prevenção e controle. Os pais e responsáveis foram informados sobre o surto e receberam orientações específicas para a observação de seus filhos, especialmente no que diz respeito ao aparecimento de sintomas como coceira intensa e alterações na pele.
A orientação oficial é que estudantes que apresentem esses sinais, ou qualquer lesão cutânea suspeita, não sejam levados à escola até a avaliação médica e o tratamento adequado. Os profissionais de saúde recomendam que esses alunos sejam encaminhados a unidades de saúde para confirmação do diagnóstico e início do tratamento, que é eficaz e pode interromper o ciclo de transmissão.
A administração municipal reforçou que a compreensão e a colaboração de toda a comunidade escolar são essenciais para garantir um retorno às aulas mais seguro e livre de riscos à saúde. A Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) também acompanha o caso, fornecendo orientações e suporte técnico ao município. Segundo o órgão estadual, a situação de Lagoa Santa representa o segundo episódio recente de surto de escabiose em instituições de ensino no estado, após uma ocorrência em Andradas, no Sul de Minas Gerais, onde 11 crianças apresentaram suspeitas da doença em uma creche municipal.
Na cidade de Andradas, as aulas foram suspensas por dois dias após a identificação dos primeiros casos, e a unidade passou por procedimentos de higienização e desinfecção. A prefeitura local destacou que a doença é tratável e que medidas de controle, como a higienização rigorosa e o isolamento de casos suspeitos, são essenciais para evitar a propagação. A situação de Lagoa Santa reforça a necessidade de atenção contínua às condições de higiene e saúde em ambientes escolares, especialmente em períodos de surto de doenças contagiosas.








