Moradores da Vila Acaba Mundo, situada na região Centro-Sul de Belo Horizonte, realizaram neste sábado (22) um protesto em frente à Prefeitura da capital mineira, manifestando insatisfação e cobrando providências após o acidente com um ônibus de turismo que resultou na morte de dez pessoas na BR-040, em Petrópolis, no estado do Rio de Janeiro. Entre as vítimas fatais estão quatro residentes da própria comunidade, o que intensificou o sentimento de dor e revolta na região.
O incidente ocorreu na última semana, quando o veículo, pertencente à empresa Estrela Guia, tombou durante uma viagem interestadual, levantando questionamentos sobre as condições de segurança do transporte e a postura da companhia após o acidente. Segundo relatos de familiares e moradores, a empresa não procurou as famílias das vítimas para oferecer assistência ou apoio emocional, limitando-se a providenciar o transporte dos corpos de volta para Minas Gerais. Essa postura gerou indignação na comunidade, que exige respostas e justiça.
Uma das vítimas era Lavínia Eduarda Souza, de apenas sete anos. Sua mãe, Maria Luísa Pereira de Souza, que também estava no ônibus, ficou ferida no acidente. Em entrevista, Maria Luísa relatou que solicitou diversas vezes ao motorista que reduzia a velocidade durante a viagem, especialmente ao passar pela serra, trecho considerado de maior risco. Ela contou que, durante o trajeto, o veículo começou a acelerar ainda em Minas Gerais, o que a levou a se aproximar da cabine do condutor para pedir que o veículo fosse mais lento, especialmente porque havia crianças no ônibus, incluindo suas filhas, uma delas com autismo.
Maria Luísa descreveu que, na descida da serra, o ônibus teria começado a perder o controle, com os faróis apagados, enquanto um caminhão que seguia atrás buzinava várias vezes, alertando para a situação. Ela afirmou que, nesse momento, passou a gritar por socorro, percebendo que o veículo começava a bater de um lado para o outro até tombar. A viagem, que era a primeira de Lavínia à praia, foi interrompida de forma trágica, destruindo sonhos e planos da família.
A perda de Maria Luísa inclui também a irmã, Priscila de Souza Braz, de 33 anos, que estava no mesmo ônibus e era considerada a principal rede de apoio da família. Maria Luísa lamenta a morte das duas, afirmando que a irmã e a filha tinham vários planos para o futuro, que agora ficaram impossíveis de serem realizados.
A comunidade de Vila Acaba Mundo relata que precisou organizar uma vaquinha para ajudar as famílias das vítimas e dos sobreviventes, muitos dos quais ainda enfrentam dificuldades financeiras devido às feridas e às limitações causadas pelo acidente. Moradores também denunciam a ausência de suporte psicológico para as vítimas sobreviventes e familiares das vítimas fatais, uma demanda que também está sendo cobrada junto às autoridades responsáveis.
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) divulgou que o ônibus envolvido no acidente não possuía habilitação para transporte interestadual de passageiros, o que reforça as suspeitas sobre a regularidade da operação. O acidente aconteceu na BR-040, em Petrópolis, e resultou na morte de dez pessoas, incluindo quatro residentes da Vila Acaba Mundo.
A comunidade exige investigação aprofundada sobre as condições em que a viagem foi realizada e a responsabilidade da empresa Estrela Guia. Em nota, a empresa afirmou que não fará novas manifestações públicas sobre o caso, acrescentando que quaisquer esclarecimentos serão apresentados nos autos dos processos judiciais em andamento. A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga o ocorrido, buscando esclarecer as causas do tombamento e responsabilizar os envolvidos.








