Belo Horizonte conta atualmente com aproximadamente 80 quilômetros de vias destinadas à circulação exclusiva ou preferencial de ônibus, uma iniciativa que visa otimizar o transporte público na cidade. A mais recente implantação ocorreu na avenida Afonso Pena, localizada na região Centro-Sul do município, e novos trechos estão previstos para serem instalados nas ruas São Paulo, Professor Moraes e Rio Grande do Norte, reforçando o esforço de priorizar o transporte coletivo na malha urbana.
De acordo com a Superintendência de Mobilidade Urbana de Belo Horizonte (Sumob), a avenida Cristiano Machado possui o maior trecho de corredores exclusivos para ônibus na cidade, totalizando 11,5 quilômetros de extensão. Além desse, outros corredores importantes estão distribuídos por vias como Contorno, Amazonas, Abrahão Caram, Augusto de Lima, Dom Pedro II, Nossa Senhora do Carmo, Antônio Carlos, Raja Gabaglia e Vilarinho. A implementação dessas faixas busca aumentar a velocidade dos ônibus, diminuir o tempo de espera nos pontos de embarque e desembarque e, por consequência, elevar a eficiência do sistema de transporte público.
Especialistas em mobilidade urbana destacam a importância de priorizar o transporte coletivo com base na quantidade de pessoas transportadas, e não apenas na ocupação do espaço físico pelos veículos. O consultor em trânsito Silvestre de Andrade explica que um ônibus, em média, transporta cerca de 50 passageiros e ocupa uma área equivalente a dois ou três automóveis, enquanto um carro comum leva aproximadamente 1,5 pessoa. Assim, a priorização do transporte coletivo é vista por ele como uma estratégia que visa melhorar a mobilidade das pessoas, ao invés de simplesmente otimizar o fluxo dos veículos particulares.
Por outro lado, Andrade ressalta que a implantação de faixas exclusivas não garante automaticamente uma melhora na fluidez do trânsito para os automóveis. Como parte do espaço viário é destinado aos ônibus, as faixas disponíveis para veículos particulares podem ser reduzidas, o que pode gerar impactos negativos na circulação de carros. O objetivo principal, segundo o especialista, é reduzir a interferência dos congestionamentos sobre o transporte público e ampliar a capacidade de deslocamento de pessoas na cidade.
A cidade de Belo Horizonte também possui regras específicas para o uso dessas faixas exclusivas, que variam conforme o horário e a via. Em determinados corredores, a prefeitura permite que todos os veículos utilizem as faixas a partir das 14 horas de sábado até as 23h59 de domingo, além de feriados, em trechos das avenidas João Pinheiro, Alfredo Balena, Dom Pedro II, Carlos Luz, Contorno e Andradas, além das ruas Padre Belchior e Goiás. Nos demais períodos, o uso dessas faixas por veículos particulares é restrito a situações como conversões à direita, entrada em garagens com guia rebaixada ou embarque e desembarque em pontos autorizados.
Para realizar conversões ou acessos às faixas exclusivas, os motoristas devem seguir regras específicas, como entrar na faixa apenas nos pontos onde há linha branca tracejada. Caso a linha seja contínua, a circulação pelo espaço é proibida. Além disso, é fundamental distinguir as faixas exclusivas, destinadas ao transporte coletivo durante os horários estabelecidos, das faixas preferenciais, que concedem prioridade aos ônibus, mas permitem a circulação de outros veículos.
Circulação irregular por faixas exclusivas destinadas ao transporte público constitui infração gravíssima, sujeita a multa de R$ 293,47 e à perda de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Essas ações visam garantir o respeito às regras e a efetividade das prioridades estabelecidas, contribuindo para uma mobilidade urbana mais eficiente e organizada na capital mineira.








