O cantor e compositor Chico Buarque, de 82 anos, procurou a Polícia Civil do Rio de Janeiro após ser alvo de uma ameaça de morte veiculada nas redes sociais. A denúncia foi feita na última segunda-feira, dia 28 de outubro, e envolve um comentário feito por um médico com registro ativo no Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG). Segundo relato da defesa do artista, a mensagem continha uma expressão de violência direcionada ao cantor, que é uma figura pública e símbolo da cultura brasileira.
A ameaça foi publicada na seção de comentários de um jornal de São Paulo, em um contexto em que a matéria abordava o apoio de Chico Buarque a candidatos ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A mensagem dizia: “adoraria abreviar a vida deste desgraçado!”. A expressão, considerada por advogados de Buarque como uma ameaça explícita, gerou preocupação, especialmente pelo fato de ter sido feita por um profissional de saúde registrado no CRM-MG, o que reforça a gravidade da situação.
Após a publicação, o comentário foi removido do site pelo próprio jornal, que considerou a manifestação contrária às regras de participação da plataforma. Ainda assim, a defesa do artista afirma que a liberdade de expressão deve proteger opiniões e críticas legítimas, mas que, neste caso, a mensagem extrapolou os limites dessa proteção ao sugerir uma ameaça de morte. Os advogados Maíra Fernandes e João Vicente Tinoco solicitaram à polícia a abertura de um inquérito para identificar e responsabilizar o autor da ameaça, bem como apurar as circunstâncias do ocorrido.
João Vicente Tinoco, um dos advogados de Chico Buarque, destacou que o fato ocorreu em um espaço público de grande circulação, o que aumenta a gravidade do ato. “Um indivíduo utilizou um espaço de expressão pública, de um dos jornais de maior circulação no país, para declarar que ‘adoraria abreviar a vida’ de um homem de 82 anos, devido às suas posições políticas”, afirmou. A denúncia reforça a preocupação com o aumento de casos de ameaças e ataques virtuais contra figuras públicas, especialmente aquelas relacionadas a opiniões políticas ou posições ideológicas.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro encaminhou o caso à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), que iniciou diligências para esclarecer os fatos e identificar o responsável pela publicação. A investigação busca determinar a autoria da mensagem e avaliar se há elementos que configurem crime de ameaça ou injúria. Em paralelo, o Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) foi contactado pelo portal Hoje em Dia, que aguarda retorno sobre o caso envolvendo o médico autor da ameaça.
Este episódio evidencia o impacto das redes sociais na segurança de personalidades públicas e reforça a necessidade de responsabilização de indivíduos que utilizam plataformas digitais para disseminar ameaças ou discursos de ódio.








