Apesar do período de estiagem que atinge Belo Horizonte, as ações de controle do Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue, chikungunya e zika, permanecem e até mesmo se intensificaram na capital mineira. A Prefeitura de Belo Horizonte informa que, até o momento, foram realizadas aproximadamente 2,5 milhões de vistorias em imóveis na cidade neste ano, com o objetivo de eliminar possíveis criadouros do mosquito e orientar a população sobre os riscos associados ao acúmulo de água parada.
Durante essas inspeções, os agentes de combate às endemias orientam os moradores sobre a importância de evitar o acúmulo de água em recipientes, calhas, pneus e outros objetos que possam servir de criadouro para o mosquito. Quando necessário, também são aplicados biolarvicidas, substâncias que ajudam a reduzir a população do vetor. Entre janeiro e julho deste ano, Belo Horizonte registrou um total de 1.734 casos de dengue, número considerado relativamente baixo em comparação com anos anteriores. Contudo, a circulação do vírus e a presença do mosquito ainda representam um risco de aumento na transmissão, o que mantém o alerta das autoridades sanitárias.
Segundo o diretor de Zoonoses da Prefeitura, Eduardo Viana, o período de estiagem é estratégico para reforçar as ações de prevenção e preparar a cidade para a chegada de períodos mais chuvosos, como primavera e verão. “Estamos com as ações intensificadas no sentido de nos prepararmos para o reinício da fase mais quente, a entrada da primavera e verão e o início das chuvas”, afirmou Viana. Essa preparação visa evitar o aumento da proliferação do mosquito durante o período de maior umidade.
Além das vistorias domiciliares, a Prefeitura de Belo Horizonte adota estratégias de controle inovadoras, como o Método Wolbachia. Essa técnica consiste na liberação de mosquitos portadores da bactéria Wolbachia, que reduz a capacidade do Aedes aegypti de transmitir vírus da dengue, chikungunya e zika. Segundo Viana, esses mosquitos com a bactéria são introduzidos no ambiente e, ao se reproduzirem com a população local, ajudam a formar uma população de insetos menos aptos a transmitir as doenças.
A administração municipal também realiza ações educativas em escolas, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação, além de promover mutirões de limpeza realizados pela Secretaria de Limpeza Urbana (SLU). Essas ações são complementadas por ações integradas com a Defesa Civil, a Guarda Municipal e a fiscalização urbanística, com o objetivo de retirar materiais que possam acumular água, especialmente em áreas de maior risco de formação de criadouros.
Segundo Viana, a participação da população é fundamental para o sucesso dessas ações. Os moradores são orientados a receberem os agentes de combate às endemias, que devem estar devidamente uniformizados e identificados. Essas visitas permitem identificar situações de risco dentro dos imóveis e orientar sobre as medidas necessárias para eliminar criadouros. Além disso, os moradores podem ajudar a identificar imóveis abandonados, lotes vagos ou outros locais propensos à proliferação do mosquito.
A orientação oficial é que os moradores não tentem entrar ou limpar esses imóveis por conta própria, para evitar invasões de propriedade. Em vez disso, devem anotar o endereço e solicitar uma vistoria à Prefeitura de Belo Horizonte, que pode ser feita de forma anônima pelos canais oficiais, pelo portal de serviços ou pelo telefone 156. Equipes especializadas realizam os procedimentos e acionam outros órgãos municipais, se necessário, para implementar ações adicionais de controle.
O alerta não se restringe à capital mineira. Em todo o estado de Minas Gerais, os números de casos de dengue continuam elevados. Desde o início de 2026, já foram confirmados mais de 43 mil casos da doença e 43 óbitos. Com a chegada do período de chuvas, as autoridades reforçam a necessidade de manter os cuidados mesmo durante a estiagem, priorizando a eliminação de recipientes e locais que possam acumular água, como uma medida essencial para evitar a proliferação do Aedes aegypti e controlar a transmissão de doenças.








