A gari Marly Geraldo, 56 anos, gravou um vídeo nesta terça-feira para tranquilizar familiares, amigos e colegas de trabalho após ter sido agredida enquanto realizava a limpeza de uma rua em Santana do Manhuaçu, município da Zona da Mata mineira. Marly afirma que está em processo de recuperação e agradeceu o apoio recebido, reconhecendo que o impacto emocional do episódio ainda a acompanha, mas mantendo a esperança de superação do trauma.
“Estou bem, graças a Deus. Estou me recuperando. Meu psicológico está um pouco atrapalhado, mas, se Deus quiser, daqui a pouco eu estou bem firme”, disse a gari. Ela atua na limpeza urbana há 25 anos e reforçou o desejo de retomar as atividades normais o quanto antes, além de defender que casos de violência contra servidores públicos devem ser denunciados. “A gente não pode parar, estamos na luta. Não pode deixar isso acontecer. Tem que denunciar mesmo. Vocês sabem que eu levanto de madrugada, sou gari há 25 anos, sabem do meu trabalho. Não vamos poder parar. Nós queremos justiça, sim. Daqui a pouco estou boa”, declarou.
Detalhes do ocorrido e evidências
O caso ocorreu na madrugada de terça-feira (28), em Santana do Manhuaçu, cidade da Zona da Mata mineira, quando duas garis, com idades de 56 e 40 anos, estavam conduzindo a limpeza de uma via. Segundo as vítimas, elas foram abordadas por um influenciador digital de 31 anos, que iniciou uma série de ataques verbais, com xingamentos e insultos. As agressões, conforme relato das testemunhas, teriam relação com questões políticas, uma vez que as vítimas atuam como servidoras municipais.
Imagens de câmeras de segurança exibiram cenas de violência: o homem empurrando uma das trabalhadoras, puxando o cabelo da outra, rasgando a blusa de uma delas e desferindo um tapa no rosto de outra. As garis tentaram se defender com as vassouras utilizadas no serviço. Durante o tumulto, uma das vítimas chegou a passar mal, desmaiando e necessitando de atendimento médico emergencial.
Medidas administrativas e andamento da apuração
O caso foi registrado pela Polícia Militar, que compareceu ao local para registros de ocorrência. Em seguida, a Polícia Civil de Minas Gerais instaurou um inquérito para apurar o crime de lesão corporal, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias da agressão, identificação de testemunhas e eventual responsabilização do autor, conforme os procedimentos legais aplicáveis. A apuração deve incluir a análise de imagens de circuito de segurança, depoimentos das vítimas e de outras pessoas presentes no momento da ocorrência, bem como avaliação de eventual motivação política, conforme alegado pelas envolvidas.
Contexto institucional e proteção a trabalhadores públicos
A violência contra servidores públicos, especialmente aqueles envolvidos em atividades essenciais como a limpeza urbana, tem sido objeto de debates públicos e ações administrativas em diversas regiões do país. Organizações civis e autoridades enfatizam a importância de canais de denúncia acessíveis e de medidas de proteção a trabalhadores que atuam em vias públicas, bem como a necessidade de responsabilização rápida de agressores para desencorajar novos episódios. Em Santana do Manhuaçu, o desdobramento do caso seguirá sob a gestão das forças de segurança estaduais, com a expectativa de que a apuração seja concluída com o máximo rigor institucional.








