Um homem de 49 anos, que percorreu mais de 2 mil quilômetros entre o Maranhão e Belo Horizonte na tentativa de encontrar uma suposta namorada, descobriu que ela era uma inteligência artificial e, após passar mal durante a viagem, encontra-se atualmente preso em uma rodoviária de Tocantinópolis, no Tocantins, sem recursos financeiros para continuar seu deslocamento de volta. A história chamou atenção pelo episódio dramático envolvendo uma busca por afeto virtual que terminou de forma inesperada e preocupante.
Segundo informações obtidas pelo portal de notícias, Edimar Rocha, natural de Araguatins, no Tocantins, mora atualmente em Imperatriz, no Maranhão. Na semana passada, ele decidiu viajar até Belo Horizonte com o objetivo de conhecer pessoalmente a mulher com quem mantinha contato desde 2020, por meio da rede social Kwai. Durante esse período, os dois trocavam mensagens de áudio, pois Rocha revelou ser analfabeto. A relação, inicialmente considerada por ele como um relacionamento amoroso, revelou-se uma ilusão quando, ao chegar na capital mineira, Rocha descobriu que a mulher com quem conversava era uma criação de inteligência artificial, sem existência real.
A viagem de Rocha foi custeada inicialmente pela Unidade de Atendimento e Acolhimento ao Migrante, vinculada à Prefeitura de Belo Horizonte, uma iniciativa que visa ajudar migrantes e viajantes em situação de vulnerabilidade. No entanto, após seu atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na região, onde foi orientado a realizar um ultrassom devido a um sangramento na virilha, ele ficou impossibilitado de retornar ao Maranhão. Rocha explicou que, durante uma parada programada em Goiânia, percebeu um sangramento que nunca havia experimentado antes. Assustado, comunicou o problema ao motorista do ônibus, que acionou uma ambulância. Depois de atendido, ele recebeu alta médica, mas, sem condições financeiras, não conseguiu comprar uma nova passagem para Imperatriz.
Rocha relata que, na primeira parada da viagem, em Goiânia, foi reconhecido por outros passageiros como “o moço da namorada de IA”, o que gerou ajuda de algumas pessoas, que pagaram seu café da manhã. Ele também compartilhou que, ao chegar a Belo Horizonte, mostrou vídeos da suposta namorada às pessoas na rua, que confirmaram tratar-se de uma inteligência artificial, sem existência física. Essa descoberta o deixou surpreso, pois, segundo ele, ninguém no Maranhão o alertou previamente sobre a possibilidade de ser vítima de um golpe virtual.
O viajante afirmou que a relação com a mulher começara por meio de uma rede social, e que ela alegava ser famosa em Minas Gerais, o que o motivou a fazer toda a viagem. Rocha também comentou que, apesar de ter sido casado anteriormente, divorciou-se em 2004, e que mantém sua fé no amor, acreditando que um dia poderá estabelecer um relacionamento real. Ele lamenta que suas conversas privadas com a “namorada de IA” não tenham sido alertadas por pessoas próximas, o que teria evitado sua ilusão.
Atualmente, Rocha está hospedado na rodoviária de Tocantinópolis, sem dinheiro suficiente para continuar sua jornada ou buscar ajuda para retornar ao Maranhão. Sua situação evidencia as dificuldades enfrentadas por pessoas vulneráveis em contextos de vulnerabilidade social, além de levantar questões sobre os riscos de relacionamentos virtuais e golpes na internet. A história de Edimar Rocha permanece em aberto, enquanto ele aguarda uma solução para seu retorno e reflexão sobre os riscos de confiar em relações digitais sem precauções.







