Uma aposentada de 71 anos foi vítima de um golpe em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que resultou em um prejuízo estimado entre R$ 15 mil e R$ 20 mil. A ação criminosa teve início com uma falsa entrega de encomenda, na qual uma mulher se apresentou como entregadora de um marketplace e utilizou uma estratégia de captura de imagem facial para enganar a vítima.
Segundo informações do boletim de ocorrência, a suspeita chegou ao local em um veículo Kia Cerato preto, cujo número de placa não foi possível identificar. Ela usava um colete laranja, além de óculos, e chegou ao endereço de Maria de Fátima, que recebeu a mulher na porta de sua residência. A suposta entregadora solicitou que a aposentada retirasse os óculos para fazer uma captura facial, alegando que era necessário para confirmar o recebimento do pacote. A ação foi registrada pelas câmeras de segurança da casa, que mostram a mulher chegando de carro, usando o celular para fotografar o rosto de Maria de Fátima.
Após a entrega, a vítima acreditou que o pacote continha uma garrafa, uma compra feita por uma de suas filhas, e achou que tudo estivesse resolvido. No entanto, cerca de meia hora depois, ela entrou em contato com os filhos para confirmar a origem do presente e descobriu que não havia feito nenhuma compra recente. A surpresa se transformou em preocupação ao verificar, posteriormente, o extrato bancário, que revelou uma série de movimentações financeiras não autorizadas.
De acordo com o levantamento, a aposentada teve valores transferidos via Pix, além de compras no crédito e débito, empréstimos contratados e uso do limite de crédito de sua conta bancária, que foi vinculada a um dispositivo eletrônico desconhecido. As operações indevidas incluíram compras em supermercados, postos de combustíveis e uma tentativa de adquirir uma motocicleta em nome da vítima. Além disso, ela não recebeu notificações de movimentações suspeitas pelo aplicativo bancário, o que agravou a vulnerabilidade da vítima.
A investigação aponta que a suspeita também teria utilizado a imagem facial de Maria de Fátima para facilitar as fraudes financeiras. As câmeras de segurança registraram a ação, mas a identidade da mulher ainda não foi completamente esclarecida. A Polícia Civil de Minas Gerais está apurando como os dados bancários da aposentada foram acessados e se a captura de rosto feita pela suspeita tem relação direta com as movimentações ilegais na conta.
Em nota, a Polícia Civil informou que está apurando o caso de estelionato registrado na segunda-feira, 7 de setembro, em Sabará, e que novas informações serão divulgadas à medida que as investigações avançarem. Especialistas alertam que golpes envolvendo o uso de imagens faciais e acessos não autorizados a contas bancárias configuram fraude eletrônica, prevista no artigo 171 do Código Penal, que pode resultar em penas de até oito anos de prisão mais multa.
Dados de pesquisas recentes reforçam a vulnerabilidade de idosos a esse tipo de crime. Levantamentos do Serasa, em parceria com a Silverguard e o Instituto Opinion Box, indicam que aproximadamente 40% dos idosos já foram vítimas de golpes financeiros, e quase metade deles relata tentativas recentes de fraudes. Dados do Observatório Febraban, divulgados em junho de 2022, revelam que 39% dos brasileiros afirmaram ter sofrido algum tipo de golpe ou tentativa envolvendo suas contas bancárias, o maior percentual registrado desde o início da série histórica em 2021.
Especialistas em direito criminal destacam que esse tipo de ação pode configurar estelionato ou fraude eletrônica, com penas que podem chegar a oito anos de prisão, além de multa. O advogado Guilherme Monte Alegre recomenda atenção redobrada em casos nos quais criminosos solicitem informações pessoais, bancárias, reconhecimento facial, transferências ou pagamentos, especialmente em abordagens realizadas por desconhecidos.









