Um homem de 70 anos, conhecido como Ademar Simplício, foi vítima de um golpe enquanto realizava uma operação bancária em um caixa eletrônico localizado dentro de uma farmácia no centro de Belo Horizonte. Após acreditar na ajuda de um estranho, o idoso teve seu cartão trocado, resultando na perda de aproximadamente R$ 9 mil, valor que seria utilizado para custear uma cirurgia na mão e a compra de medicamentos essenciais. O caso evidencia os riscos de golpes em locais públicos e reforça a necessidade de cuidados redobrados ao realizar transações financeiras fora de ambientes controlados.
O incidente ocorreu na farmácia que possui um caixa eletrônico 24 horas, frequentado por Ademar sempre que precisa sacar dinheiro. Segundo ele, no dia do ocorrido, entrou na farmácia sozinho, realizou uma transação normalmente e, ao sair, foi abordado por um homem que alegou ter esquecido um papel de transação na máquina. A vítima, acreditando na história, retornou ao estabelecimento, onde foi abordada novamente pelo suspeito. Este mostrou um papel que, supostamente, indicava que o banco não tinha registrado a última operação e que, para regularizar a situação, seria necessário inserir o cartão e a senha novamente.
Durante a conversa, o golpista conseguiu trocar o cartão original de Ademar por um falso, enquanto o idoso seguia as instruções do suspeito. Momentos depois, ao tentar usar o cartão substituto, percebeu que nada funcionava e que seu dinheiro havia sido levado. Câmeras de segurança captaram o momento em que o idoso foi abordado, bem como a ação de troca do cartão. As imagens também mostram um segundo homem, suspeito de participar do golpe, possivelmente auxiliando na distração dos funcionários da farmácia.
De acordo com o relato de Ademar, o golpe foi tão convincente que ele duvidou de si mesmo durante toda a abordagem, seguindo à risca as orientações do golpista. O prejuízo financeiro foi considerável, atingindo quase R$ 9 mil, recursos que estavam destinados a procedimentos médicos e medicamentos. A família do idoso já registrou um boletim de ocorrência e acionou o banco responsável pela conta, que afirmou estar analisando o caso e prometeu fornecer um retorno. Além disso, Ademar possui todos os comprovantes das transações fraudulentas, que serão utilizados como provas na investigação.
O caso reforça a importância de cuidados ao realizar operações bancárias em locais públicos. Especialistas alertam que, em situações de dúvida ou necessidade de ajuda, o mais seguro é procurar um funcionário da instituição financeira, evitando contato com estranhos. Dalva Santana, presidente da Comissão de Defesa do Direito da Pessoa Idosa da OAB-MG, destaca que golpes desse tipo costumam explorar a confiança, especialmente de idosos, que muitas vezes são abordados por indivíduos que se passam por pessoas dispostas a ajudar. Ela recomenda que os idosos desconfiem de qualquer pessoa que solicite cartão, senha ou dados pessoais, além de conferir o cartão antes de deixar o caixa e acompanhar regularmente o extrato bancário.
Dados de uma pesquisa realizada pela Serasa indicam que quatro em cada dez brasileiros com mais de 60 anos já sofreram algum tipo de golpe financeiro, sendo que 40% dessas vítimas passaram por mais de uma fraude. Ainda segundo o estudo, 80% tiveram prejuízos financeiros, com perdas superiores a mil reais em mais da metade dos casos. A orientação é para que, ao perceber qualquer movimentação suspeita, o cliente entre em contato imediatamente com o banco e registre um boletim de ocorrência, além de procurar ajuda na Ouvidoria da instituição financeira.
Até o momento, os suspeitos envolvidos na ação, que aparecem nas imagens de câmeras de segurança, não foram identificados ou localizados. O caso serve como alerta para a necessidade de atenção redobrada em operações bancárias, especialmente por parte de idosos, que continuam sendo alvo frequente de criminosos que se aproveitam de momentos de distração para aplicar golpes.








