Nesta quinta-feira, 22 de outubro, Minas Gerais oficializou a inclusão de três manifestações culturais e patrimônio histórico de grande relevância para a sua identidade. O Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), vinculado à Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult-MG), aprovou o reconhecimento das Expressões do Samba e dos Modos de Fazer Cachaça de Alambique como patrimônios imateriais do estado, além do tombamento da Casa de Dona Beja, situada em Araxá, no Alto Paranaíba.
A decisão ocorreu durante reunião realizada no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte, e reforça o compromisso de preservação e valorização da cultura mineira. Os reconhecimentos abrangem manifestações ligadas à ancestralidade afro-brasileira, ao conhecimento tradicional transmitido entre gerações e à memória histórica de Minas Gerais. Segundo a secretária de Estado adjunta de Cultura e Turismo, Josiane de Souza, que presidiu a reunião, o reconhecimento da produção de cachaça pode beneficiar famílias que mantêm essa atividade, incluindo produtores que ainda não possuem registros oficiais. Ela destacou também a importância de valorizar o samba, uma expressão cultural que representa a cultura afro-mineira, e o tombamento da Casa de Dona Beja, que visa proteger a memória da personagem e a história de Araxá.
O reconhecimento das Expressões do Samba reforça a presença histórica e a diversidade dessa manifestação cultural no estado, que atualmente conta com 246 grupos cadastrados no Brasil. Raimundo Nonato da Silva, coordenador do coletivo de sambistas Mestre Conga, celebrou a decisão e destacou que o grupo foi fundamental na elaboração do dossiê que solicitou o reconhecimento junto ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG). Para os envolvidos, esse reconhecimento contribui para preservar a trajetória de seus ancestrais, além de ampliar o reconhecimento social do samba, que enfrentou preconceitos e repressões ao longo de sua história.
No âmbito da produção de cachaça de alambique, Minas Gerais também recebeu reconhecimento oficial de seus modos tradicionais de produção, considerados patrimônio imaterial. A valorização dessas técnicas tradicionais reforça a importância cultural da bebida, além de destacar sua transmissão entre gerações. Minas lidera a produção nacional de cachaça de alambique, com uma estimativa de 13,5 milhões de litros produzidos anualmente. Segundo dados da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG), o estado possui atualmente 630 alambiques registrados, o que evidencia a relevância econômica e cultural do setor. Além de fortalecer a identidade mineira, esse reconhecimento pode impulsionar a presença da cachaça local nos mercados nacional e internacional.
O tombamento da Casa de Dona Beja, também conhecida como Pensão Tormim, foi aprovado para proteger o imóvel localizado em Araxá. Construída entre as décadas de 1820 e 1830, a residência apresenta características arquitetônicas do século XIX e está ligada à trajetória de Anna Jacintha de São José, conhecida como Dona Beja. A personagem teve grande influência social, econômica e política na época, destacando-se por seu papel na história mineira e por desafiar os padrões morais conservadores do período. Sua participação na Revolução Liberal de 1842 e sua trajetória de enfrentamento às convenções sociais contribuíram para consolidar sua importância histórica. O tombamento garante a preservação da edificação, promovendo a valorização da memória urbana de Araxá e a manutenção da história de uma mulher que deixou marca significativa na formação social da região.








