Peritos da Polícia Civil de Minas Gerais concluíram que a diarista Paola Stefany Neto Cirino, acusada de assassinar um casal de idosos no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, não apresentava qualquer perturbação mental durante a prática do crime. A avaliação foi realizada no Instituto Médico Legal (IML) e divulgada nesta semana, após análise de exames, entrevistas e outros elementos coletados durante as investigações. Segundo o laudo, Paola não apresentava doenças mentais, perturbações da saúde ou desenvolvimento mental incompleto na ocasião, o que indica que ela possuía plena capacidade para compreender suas ações e suas consequências.
A perícia psquiátrica foi solicitada pela Justiça no dia 18 de agosto, atendendo a um pedido da defesa da acusada, que buscava verificar se ela tinha condições de entender o caráter ilícito de seus atos e agir de acordo com esse entendimento. A realização do exame ocorreu na última segunda-feira, dia 14 de outubro. Ressalta-se que a conclusão dos peritos não implica reconhecimento de inimputabilidade ou transtorno mental, mas apenas a ausência de perturbação que pudesse influenciar sua responsabilidade penal.
Paola, que está detida desde o início de julho, foi denunciada pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por dois latrocínios — roubo seguido de morte —, além de fraude processual e furto qualificado. A denúncia foi formalizada pela Justiça em 31 de julho, após a prisão da suspeita. Ela é acusada de ter assassinado o casal Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76 anos, no apartamento onde moravam, no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, no dia 30 de junho. O crime teria ocorrido na noite anterior, após a diarista, que havia sido contratada para realizar tarefas de limpeza na residência, entrar na casa pela primeira vez.
De acordo com as investigações do Ministério Público, Paola teria utilizado medicamentos sedativos na bebida das vítimas com o objetivo de reduzir sua capacidade de reação. Após dopá-las, ela teria começado a retirar objetos do imóvel. Segundo a denúncia, uma das vítimas chegou a acordar durante a ação, momento em que Paola teria atacado o casal com uma arma branca, causando múltiplas lesões. Laudos periciais apontam que Maria Clotilde apresentava 15 lesões provocadas por instrumento perfurocortante e queimaduras pelo corpo, enquanto Cláudio sofreu 43 perfurações, incluindo perfurações no coração. Exames toxicológicos detectaram a presença de clonazepam e alprazolam nas vítimas, reforçando a hipótese de uso de sedativos.
A investigação também revelou tentativas de Paola de alterar a cena do crime, com a utilização de panos de chão encharcados com água sanitária e desinfetantes. Câmeras de segurança do condomínio registraram a entrada da suspeita às 7h28 e sua saída às 15h32, carregando sacolas com objetos pertencentes às vítimas e trocando de roupas durante o deslocamento. Além disso, uma unha postiça de gel, encontrada sob o corpo de Cláudio, foi um elemento de prova, pois imagens mostraram que Paola entrou na residência com o acessório no dedo anelar direito e saiu sem ele.
Após os homicídios, a suspeita teria se deslocado ao Centro de Belo Horizonte, onde tentou vender objetos retirados do apartamento e utilizou cartões bancários das vítimas. Outros indivíduos também relataram terem sido vítimas de ações semelhantes por parte de Paola, que, segundo a Polícia Civil, estaria envolvida em pelo menos quatro casos similares, nos quais os clientes também teriam sido dopados.
Paola foi presa pela Polícia Civil em 2 de julho, em um hotel na cidade de Itabira, na região Central de Minas Gerais, onde estava acompanhada do filho. Na ocasião, foram apreendidos R$ 18,8 mil em dinheiro, além de celulares, joias, bolsas, perfumes, roupas, uma faca e 165 comprimidos de medicamentos sedativos. Durante as investigações, outras pessoas apresentaram relatos de terem sido vítimas da diarista, o que levou as autoridades a aprofundar as apurações sobre seu modus operandi.
A defesa de Paola solicitou a instauração de um incidente de insanidade mental, alegando que elementos dos autos indicariam a necessidade de avaliar sua condição mental na época do crime. A perícia, contudo, confirmou que ela não apresentava transtornos mentais na ocasião, deixando claro que ela tinha plena capacidade de compreender suas ações e suas implicações.








