A Polícia Civil de Minas Gerais está conduzindo uma investigação sobre uma possível ação de sabotagem relacionada a uma série de rompimentos e danos em equipamentos da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ocorridos nas últimas semanas na Região Metropolitana de Belo Horizonte. A suspeita foi formalmente apresentada pela concessionária ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e está sendo avaliada à medida que as investigações avançam, com o objetivo de esclarecer a origem dos incidentes e suas possíveis motivações.
De acordo com informações fornecidas pela Copasa, a hipótese de sabotagem surgiu após análises iniciais que identificaram uma sequência de quatro ocorrências consecutivas, todas ocorridas entre 19 de agosto e 8 de setembro, além de danos no sistema antiodor da Lagoa da Pampulha, que também levantaram suspeitas de ação intencional. A companhia destacou que, embora as investigações estejam em andamento, outras informações detalhadas só poderão ser divulgadas após o progresso nas apurações.
Os incidentes investigados estão associados a problemas que provocaram alagamentos, danos a imóveis e interrupções no abastecimento de água em diferentes bairros de Belo Horizonte e Contagem nas últimas semanas. O primeiro episódio, ocorrido na madrugada do dia 19 de agosto, envolveu o rompimento de uma adutora de grande porte na rua Xapuri, no bairro Nova Granada, na região Oeste de Belo Horizonte. O vazamento causou alagamentos em ruas, invadiu uma residência e ocasionou danos estruturais ao imóvel, levando um morador a precisar sair pela janela. Além do prejuízo ao imóvel, o asfalto também foi danificado na ocasião. O impacto na distribuição de água foi sentido por mais de duas semanas, afetando um total de 43 bairros durante as intervenções necessárias para reparo.
No dia 5 de setembro, uma rede de distribuição rompeu nas proximidades da Praça Guimarães Rosa, no bairro Cidade Nova, na região Nordeste da capital. O vazamento causou alagamentos na via pública e atingiu um salão de beleza localizado na área. A equipe de manutenção concluiu os reparos na manhã seguinte, restabelecendo o abastecimento.
Dois dias depois, em 7 de setembro, outro rompimento ocorreu na rua Caetano Pirri, no bairro Milionários, na região do Barreiro. O vazamento provocou uma enxurrada que atingiu várias vias e colocou em risco o fornecimento de água para aproximadamente 65 bairros das regiões Oeste e Barreiro. Na ocasião, a presidente da Copasa, Marília Carvalho de Melo, atribuiu o incidente a uma falta de energia ocorrida na madrugada, que teria causado aumento de pressão na rede e, consequentemente, rompimentos. Recentemente, a companhia passou a considerar esses episódios como possíveis atos de sabotagem, ampliando o contexto da investigação.
O quarto episódio foi registrado em 8 de setembro, às margens da rodovia BR-040, no bairro Kennedy, em Contagem. Um forte jato de água chamou a atenção de motoristas e pedestres na rodovia, levando a companhia a interromper remotamente o fornecimento de água para realizar manutenção preventiva. Nesse episódio, 2.632 ligações de 13 bairros foram afetadas, demonstrando o impacto da ação na rede de distribuição.
As autoridades continuam apurando os fatos, buscando identificar possíveis autores e motivações por trás dos incidentes. A Polícia Civil reforça que novas informações serão divulgadas à medida que as investigações evoluírem, enquanto a Copasa reforça seu compromisso com a segurança e a integridade de seus sistemas de abastecimento.








