A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira, 23 de outubro, a segunda fase da Operação Disco de Ouro, que investiga uma organização criminosa suspeita de lavagem de dinheiro e outros crimes de caráter transnacional. Entre os principais alvos está o cantor Alexandre Pires, cuja residência e uma produtora de eventos vinculada à sua carreira em Uberlândia, no estado de Minas Gerais, foram alvo de mandados de busca e apreensão, além de ordens judiciais de sequestro de bens e valores. A operação contou com o cumprimento de 12 mandados de busca e apreensão e 17 ordens de bloqueio de ativos financeiros, expedidos pela Justiça Federal.
Segundo informações obtidas junto às investigações, as ações visam esclarecer a movimentação de mais de US$ 48 milhões, supostamente ocultados por meio de uma complexa rede de empresas brasileiras e estrangeiras. As apurações indicam que o esquema envolvia operações financeiras internacionais, contas de terceiros e mecanismos informais de compensação financeira, utilizados por pessoas físicas e jurídicas para dispersar e dificultar o rastreamento dos recursos ilícitos.
A nova fase da Operação Disco de Ouro é uma continuidade do procedimento iniciado em dezembro de 2023, que também investigava irregularidades na cadeia de comercialização e exportação de minérios, além do uso de documentos falsificados para dar aparência de legalidade às operações. Na ocasião, a residência de Alexandre Pires em um condomínio de alto padrão em Uberlândia foi alvo de buscas, e seu veículo foi apreendido. A investigação apontou que o artista teria recebido pelo menos R$ 1 milhão de uma mineradora suspeita de financiar atividades ilegais de garimpo.
Na primeira fase da operação, o nome do cantor também apareceu em investigações relacionadas ao comércio ilegal de minérios. O esquema envolvia a apreensão de aproximadamente 30 toneladas de cassiterita, extraída possivelmente de terras indígenas em Roraima, e enviada ao exterior, com registros falsificados que a vinculavam à região do rio Tapajós. Além de Alexandre Pires, o empresário Matheus Possebon, que atuava na gestão de suas atividades, foi preso em Santos, no litoral paulista, mas posteriormente teve a prisão revogada por um habeas corpus concedido pela Justiça Federal. Christian Costa dos Santos, empresário ligado à mineradora Betser, também foi beneficiado com a liberdade.
As investigações apontam que o esquema criminoso envolvia diversos atores na cadeia produtiva, incluindo pilotos de aeronaves, postos de combustíveis, estabelecimentos de venda de maquinários para mineração e pessoas usadas para ocultar movimentações financeiras ilegais. Os crimes investigados abrangem lavagem de capitais, organização criminosa, falsidade ideológica e operação irregular de instituições financeiras, entre outros ilícitos.
Em nota oficial, a defesa de Alexandre Pires afirmou que a relação do artista com Matheus Possebon restringia-se à intermediação na venda de shows. A nota reforçou que não há qualquer relação jurídica ou comercial além dessa atividade artística e que os fatos sob investigação atribuídos ao empresário não envolvem o cantor. A defesa também declarou que Alexandre Pires mantém sua rotina pessoal e profissional normalmente, confiando na apuração dos fatos e na demonstração de sua inocência.
A operação evidencia a complexidade das investigações e a amplitude das atividades ilícitas relacionadas a crimes financeiros e ambientais, envolvendo diferentes setores e atores. As autoridades continuam a apurar os detalhes do esquema, bem como a responsabilização de todos os envolvidos.









