Em editorial publicado neste domingo (25/10), o jornal norte-americano The New York Times criticou a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nas eleições brasileiras. Sob o título “Trump deveria ficar fora da política brasileira”, o texto afirma que o governo norte-americano abandonou uma postura tradicional de neutralidade em processos eleitorais de outros países e passou a apoiar candidaturas específicas.
Segundo o editorial, essa mudança de comportamento ocorreu em diferentes países, entre eles Argentina, Colômbia, Honduras, Hungria, Israel, Japão e Polônia. O jornal avalia que, em determinadas situações, a administração Trump não apenas manifestou preferência por candidatos, mas também adotou medidas para beneficiar seus aliados políticos ou pressionar governos comandados por líderes que o presidente dos Estados Unidos desejava retirar do poder.
“Em alguns casos, o governo Trump foi além e recompensou seus candidatos preferidos com políticas amistosas ou puniu países governados por políticos que ele espera destituir”, afirma o texto publicado pelo jornal. A avaliação do New York Times é de que esse tipo de conduta representa uma ruptura com a ideia de que países estrangeiros não devem interferir diretamente nas escolhas eleitorais de outras democracias.
Medidas contra o Brasil são apontadas como sinal de preferência política
Ao tratar especificamente do Brasil, o editorial afirma que o governo Trump não declarou formalmente apoio ao candidato Flávio Bolsonaro. O jornal, no entanto, sustenta que uma sequência de decisões tomadas pela administração norte-americana indicou uma preferência política no cenário brasileiro.
Entre as medidas citadas está a imposição de uma tarifa de 50% sobre a maioria das importações brasileiras em 2025. O editorial também menciona sanções aplicadas ao juiz responsável pelo julgamento de Jair Bolsonaro e à esposa do magistrado. Na avaliação do jornal, as tarifas tiveram impacto negativo sobre a economia brasileira e funcionaram como parte de uma estratégia de pressão política.
O texto não apresenta essas ações apenas como decisões comerciais ou diplomáticas isoladas. Para o New York Times, a combinação entre sanções, tarifas e manifestações de apoio a determinados grupos políticos transmite uma mensagem de interferência no processo eleitoral brasileiro, ainda que não tenha havido um endosso oficial ao nome de Flávio Bolsonaro.
Jornal considera interferência externa antidemocrática
O editorial também questiona a legitimidade da participação de um governo estrangeiro nas eleições de um Estado democrático. “A interferência externa nas eleições de um Estado democrático é antidemocrática: afinal, os americanos não fazem parte do sistema político brasileiro”, afirma o texto.
De acordo com a publicação, a atuação do governo Trump transmite a ideia de que os norte-americanos, ou ao menos uma parcela deles, acreditariam saber mais do que os próprios brasileiros sobre o que seria melhor para o Brasil. Para o jornal, essa postura desconsidera a autonomia dos eleitores brasileiros e o funcionamento das instituições políticas do país.
Editorial associa aliados de Trump à extrema-direita
O New York Times também critica os candidatos apoiados ou favorecidos por Donald Trump em outros países. Segundo o editorial, esses políticos tendem a demonstrar hostilidade à democracia em suas próprias nações, assim como o presidente norte-americano. A maioria, conforme o texto, é formada por representantes da extrema-direita com tendências autocráticas.
O jornal afirma ainda que esses líderes utilizam o poder do Estado para assegurar acordos lucrativos para si mesmos, seus apoiadores e pessoas próximas a Trump. Também seriam recorrentes as tentativas de alterar regras eleitorais com o objetivo de manter os respectivos partidos no poder.
Nos casos considerados mais extremos, o editorial cita Jair Bolsonaro e o próprio Donald Trump. Segundo a publicação, ambos tolerariam atos de violência extremista praticados em seus nomes. A crítica reforça a avaliação central do texto: a política externa norte-americana, ao favorecer candidatos específicos e punir governos adversários, estaria contribuindo para enfraquecer princípios democráticos em outros países.









